Mais cor nessa parada

Pontos de ônibus viraram referência de culturaTissyane Scott

A rotina de quem pega ônibus não é das mais fáceis, tudo pode acontecer: engarrafamento, superlotação e tudo isso piora ainda mais se você for em pé. Cansados dessa rotina, estudantes de Vicente Pires lançaram a campanha Mais Cor Nessa Parada, que revitaliza os pontos de ônibus.

A proposta foi tão bem sucedida que é a única representante de Brasília na disputa da 15ª edição do Prêmio Escola Voluntária. O prêmio incentiva a cidadania e a solidariedade. A premiação do primeiro lugar é de R$ 20 mil.

andre-rocha-9Foto: André Rocha.

Eduarda Costa, de 15 anos, foi uma das pioneiras do movimento Mais Cor nessa Parada, que já dura seis meses. “Eu decidi participar desse projeto, porque eu muitas vezes não conseguia pegar o ônibus. É muito diferente você chegar em uma parada toda pichada e mal acabada e chegar em uma parada bonita, muda completamente o dia”, contou a estudante do Ensino Médio.

O projeto que conta com o apoio da Administração Regional da cidade, já tem 23 paradas de ônibus restauradas, restando apenas oito para completar a cidade. Para o coordenador de Cultura, Esporte e lazer, Clayson Gomes Barros.

“Não é só uma pintura na parede, mas é o que ela traz. Abrir um canal com a comunidade através da cultura significa unir as pessoas. Também, desejamos que as paradas sejam uma parada de pensamento e uma expansão de cultura”.

Voluntários

Idealizadora do projeto, Priscila Madureira, é diretora pedagógica do Colégio Vitória Régia. Segundo ela, o objetivo é promover a solidariedade, o voluntariado, a expressão artística dos alunos, além de tornar a cidade mais colorida.

“Não adianta a gente só ficar reclamando esperando que alguém faça algo. Tem que começar com um passo de ‘formiga’. Fugir do padrão e desenvolver atos cidadãos nas crianças, pode ser a possibilidade determos um Brasil diferente”, analisou Priscila Madureira.

andre-rocha-4Foto: André Rocha.

Mais seis escolas abraçaram a causa, como o Colégio Montesquieu. A instituição também é criadora do projeto “Bibgeoteca”, que consiste em reutilizar geladeiras e transformá-las em bibliotecas públicas colocadas também nas paradas de ônibus.

“Pensamos nas geladeiras porque elas vedam a entrada de água da chuva”, disse a diretora e proprietária do Montesquieu, Alda Maria Alves. “Apostamos nessa iniciativa porque esse projeto faz com que as crianças aprendam a respeitar os livros. Acredito que quem lê vai mais longe, temos que dar essa oportunidade a todos.”

As geladeiras estão instaladas, mas têm que passar por um processo de pintura, feito pelos próprios alunos. A ideia é que com a pintura bem artística sejam evitados os roubos – é que a carcaça é utilizada em algumas oficinas de carros para amplificar o som de alguns veículos e ambientes.

Outras geladeiras nas paradas da Vicente Pires foram doadas por um motorista de condução escolar, porém, eram colocados adesivos propagando o serviço. “A administração pediu para ele retirar [os adesivos]”, contou a Alda Alves. “Depois do apelo, ele preferiu sair porque não poderia mais fazer a propaganda.”

Como funciona

O trabalho, inicialmente, era mantido com doações de tinta de casas de pinturas, agora é combinado entre as escolas quem fica responsável por qual parada e elas mesmas compram a tinta e eventualmente a administração também contribui.

Após a parada passar por uma limpeza e ser colocada a cor base, é hora de os alunos colocarem mãos à obra! Segundo Priscila Madureira, apesar de não haver “recompensas” a participação dos estudantes é intensa.

“O sentimento de ajuda ao próximo e do reconhecimento de um bom trabalho, os movem”, contou a pedagoga.

Para o universitário Guilherme Caldas, o projeto é um incentivo para outras administrações implantarem em cada cidade.