Bebida atrai mais jovens

O consumo começa entre 10 e 12 anos, segundo o Cebrid

Elizabeth Oliveira e Vitor Stoianoff

Lucas Santos, de 16 anos, tomou cerveja, pela primeira vez, aos sete. O estímulo veio do pai que o levava para os encontros com os amigos regados a destilados. O estudante do Ensino Médio conta que, logo de início, achou o gosto amargo e sem grandes atrativos. Depois com o tempo, viveu um misto de tontura com vibração e entusiasmo Ele faz parte dos numerosos jovens que engrossam as estatísticas sobre o consumo deliberado de álcool. 

Já a estudante da Universidade de Brasília Gabriela Varela, de 23 anos, começou a beber com os amigos um pouco mais tarde: aos doze anos. Ela lembra que ainda no Ensino Fundamental se reunia com os amigos para ‘virar gummy’ – o nome faz referência à poção mágica do desenho animado “Ursinhos Gummi” e é feita a partir de vodca, refrigerante de limão e suco em pó. Hoje, já não bebe mais da mesma forma. Segundo ela, bebe socialmente. “Quando a gente é adolescente, a gente bebe pra cair”, ri ao recordar.

bruna-neres-2Foto: Bruna Neres.

Conhecido como ‘beber em binge’, o ato de beber várias doses em um curto intervalo de tempo, esse é um estilo característico dos mais jovens. O que leva muitos a entrar em coma alcoólico e precisar de uma dose extra de glicose no organismo. Histórias como estas são mais frequentes do que se imagina. Segundo dados do Núcleo Einstein e Drogas do Hospital Albert Einstein, o consumo é um dos grandes causadores de dependência entre jovens e o segundo principal problema de saúde pública no Brasil, perdendo somente para o tabaco. De acordo com os números, o primeiro gole, que costumava ser depois dos 17, caiu para antes dos 15 e agora, pesquisas revelam que 42% das crianças entre 10 e 12 anos já experimentaram  algum tipo de álcool.

De acordo com o levantamento do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) com a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), 54% dos jovens de 12 a 17 anos costumam beber regularmente e desses, 7% já são dependentes da substância.

bruna-neres-1Foto: Bruna Neres.