Conciliando teoria e prática

Boas e más experiências de quem tem a tarefa de estudar e aprender seu ofício em um estágio

Ana Póvoa e Giovana Gomes

 Estudantes universitários colocam na prática profissional o que aprenderam dentro de sala de aula, dentre obstáculos e dificuldades, existem casos de sucesso que servem de exemplo para muitos que ainda não passaram pela experiência do estágio. Quem faz aprende os caminhos para o mercado de trabalho, nessa primeira oportunidade que se pode lidar com a rotina da profissão sob supervisão de profissionais do meio.

A experiência pode significar grandes avanços na vida profissional de um estudante, como é o caso de Tatiane Leão, 20 anos, estudante de enfermagem do 9º semestre na Faculdade Icesp, realizou estágio obrigatório e avalia como positiva a experiência “Foi importante para enriquecer o conhecimento, abriu os meu olhos pra o q realmente é enfermagem por que na faculdade a gente tem uma visão meio ilusória, e me ajudou a aprimorar um pouco da pratica”, revela

 Por lei, existem dois tipos de estágio: obrigatório e opcional. Sendo o primeiro incluso na grade curricular do aluno e o segundo acrescenta horas complementares que são necessárias para se formar no caso de estudantes da graduação. Instituições de ensino organizam os estágios de nível superior segundo suas necessidades e variedade de cursos. O estágio também pode ser realizado por alunos de ensino médio, segundo a lei do estagiário, de 25 de setembro de 2008, que não caracteriza vínculo empregatício e respeita o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Na Universidade Católica de Brasília (UCB), existe o Projeto de Empregabilidade (Projem), que apresenta as propostas de estágio ao estudante em uma lista com oportunidades para todos os cursos. O setor também organiza e aprova os termos de compromisso, que são os contratos entre empresa e estudantes, que muitas vezes é intermediado por outras instâncias como Sistema Nacional de Estágio (IEL) ou Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE).

   Atualmente, são mais de 2.800 alunos estagiando no sistema do Projem, sendo Direito o curso com mais alunos inscritos. Para o gestor do setor na UCB, Wagner Soares, “Temos diversos exemplos de alunos que fizeram estágio em empresas que resolveram contratar o estudante após o término do contrato de estágio”, destaca.

Uma das estudantes de Direito da UCB destaca como foi grandiosa sua experiência. Joyce Paiva, estudante do sétimo semestre do curso de Direito da UCB estagiou na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacom), que integra o Ministério da Justiça, em trabalhos ligados à pesquisa na Coordenação Geral de Estudos e Monitoramento de Mercado. Área na qual a estudante quer seguir carreira profissional. “Eu pude fazer na prática tudo que eu sempre quis, senti que minha opinião era importante e descobri uma vocação”, explica.

  Em seu primeiro estágio, em um escritório de advocacia, Joyce destaca: “O primeiro estágio me abriu as portas, logo depois fui para o ministério e conheci o trabalho que quero fazer pelo resto da minha vida, instruída por profissionais que admiro muito”, conta.

Para ela, a participação do chefe foi primordial, ele a incentivava estudar e realizar cursos internos, que posteriormente a ajudaram em sua formação. “As tarefas me envolviam no aprendizado, consegui desenvolver habilidades com a ajuda de profissionais muito bem formados”, ressalta.

 Segundo Wagner, há uma grande diferença entre empresas que ajudam os estudantes e outras que não incentivam e deixam os profissionais entregues às tarefas robóticas que não inserem o aluno na esfera profissional. “Boas oportunidades garantem que os estudantes trilhem melhores caminhos”, ressalta.

Porém, nem toda experiência é maravilhosa, o aluno pode sofrer de diversas formas com a má gestão do estágio. “Na prática, sofri com carga horária de trabalho exaustiva e o desvio de funções profissionais que não fazem parte do acordo selado com a instituição”, conta a estudante de engenharia, Aline Moura Albuquerque, 21 anos. Segundo ela, a realização de estágio pode ser uma experiência prática enriquecedora, complementar à formação acadêmica e uma possível janela de acesso para o mercado de trabalho, mas experiências ruins acontecem constantemente.

A professora da Universidade Católica de Brasília (UCB) Rosana Pavarino, Coordenadora de Estágios do curso de Comunicação Social destaca aspetos fundamentais para alcançar bons resultados. ”É importante o aluno ter uma boa conduta desde o início do curso, ter compromisso e pontualidade na entrega dos trabalhos, e assim terá um bom desempenho dentro do seu estágio”, afirma.

Ariana Dantas Rocha, 31 anos, atuou no cargo de assessora de comunicação por um ano no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em seguida trabalhou por três anos na Administração Regional do Gama. A jornalista, que se formou em 2006 no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), explica o compromisso entre o estudante e a parte concedente do estágio. “Trabalhei com uma estagiária que descobriu no meio do curso que não se identificava com a profissão, o que foi bom pois indicou que não era a área profissional que eu queria. É uma formação prática para que o estagiário chegue ao mercado de trabalho preparado ou até já inicie sua carreira na empresa”. Para ela, é uma oportunidade de se aprender, errando e acertando, além de descobrir como é o ofício na área escolhida.

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Foto de capa: Hellen Resende