Além da sala de aula

Grupos de teatro e música levam cultura a escolas do Distrito Federal

Bruno Barbosa

Levar arte a escolas públicas parece tarefa difícil se pensarmos os vários problemas com o sistema educacional público no Brasil. Mas existe ainda quem leve cultura a escolas, por vezes, abandonadas e sem boa infraestrutura. Diversos grupos de música e teatro sem fins lucrativos se envolvem com atividades pedagógicas com a intenção de propor novos métodos de ensino.

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Foto: Alan Rios

Cantando o melhor do rock nacional e internacional, como Legião Urbana, The Beatles, Raul Seixas, Nirvana e Pearl Jam, a banda brasiliense LedBed lidera o projeto Minha Música, iniciativa que apresenta e dá voz a composições feitas por estudantes de escolas públicas do Distrito Federal, como o CEF 03 de Brazlândia, uma das instituições beneficiadas pela ação do grupo. O projeto tem como finalidade reunir os estudantes para comporem músicas a partir de tema sugerido pela banda. As canções passam por uma seleção, e a melhor letra ganha a gravação de videoclipe dentro do colégio e com a participação de todos os alunos.

Sair do comum não é papel somente dos alunos, mas também dos professores e diretores dos colégios. O músico e professor Flávio Leão apresenta nas escolas de Brasília o projeto “A História da Música Brasileira”, que reúne educadores da rede pública de ensino em um trabalho que une música e teatro. A proposta é proporcionar aos estudantes a vivência de novas experiências fora do contexto da sala de aula. Os alunos ampliam, assim, seus conhecimentos históricos sobre a música brasileira e a sua importância para a contribuição do país.

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Foto: Alan Rios

Quando a escola não vai a arte, a arte vai até a escola. Em um ônibus atraente e charmoso, o projeto Caravana Buriti, passeia por todo o país com apresentações de dança e teatro. No Distrito Federal a companhia de teatro já passou por colégios de Ceilândia, Arapoanga, Samambaia, Santa Maria e Varjão. O Caravana encena pequenas apresentações de música, dança, teatro, bonecos e contação de história, que envolve a participação dos alunos e professores. A fundadora do projeto há 20 anos atrás, Eliana Carneiro, ressalta como é a dinâmica das apresentações: “Temos uma temática voltada às crianças, mas que também envolve os adultos, que relembram brincadeiras, histórias e medos de quando eram jovens”, explica.

No Gama um projeto tem tomado conta da cidade nos últimos anos, o Festival Festineco, um evento que reúne grandes bonecos nacionais e internacionais. O Festival acontece em diversos pontos do Gama, em especial nas escolas, onde os estudantes participam por meio de oficinas, peças teatrais e dança. Para o bonequeiro e organizador do evento Marco Augusto Resende a interação entre os alunos nos espetáculos, “A gente está em casa, quando estamos na escola. Os alunos têm muita vontade de ver e participar das peças e brincadeiras” ressalta.

Segundo a Agência Senado, em maio deste ano, a então presidente Dilma Rousseff promulgou a lei 13.278/2016, que inclui as artes visuais, a dança, a música e o teatro nos currículos dos diversos níveis da educação básica. A lei estabelece um prazo de cinco anos para que as escolas promovam a formação de professores para implantar esses componentes curriculares nos ensinos infantil, fundamental e médio.

 

Foto de capa: Alan Rios