Ler junto é bem melhor

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 Pesquisa revela que brasileiro lê em média apenas dois livros por ano, mas grupos de leitura tentam mudar essa realidade e compartilhar conhecimento

Katielly Valadão e Pabline Souza

Aventuras, ação, um pouco de drama ou um belo romance. Os livros são conhecidos por levarem o leitor a outro mundo. Eles dão asas à imaginação e ampliam o conhecimento, transformando histórias de vida. Pensando nisso, novas iniciativas surgem na capital e alcançam, leitores assíduas e quem não tem o costume de ler. São os chamados grupos de leitura.

Inspirado na campanha #readwoman2014 lançada pela escritora britânica Joanna Walsh nas redes sociais, o grupo Leia Mulheres surgiu em fevereiro de 2015, em São Paulo. Idealizado pela consultora de marketing Juliana Gomes, a jornalista Juliana Leuenroth e a transcritora Michelle Henriques, o grupo completou um ano em março e está presente nas cinco regiões do país, incluindo o Centro-Oeste e a cidade de Brasília.

Douglas Rodrigues

Aberto para quem quer participar das atividades, o grupo prioriza a leitura de obras de escritoras. A jornalista Patrícia Rodrigues é uma das representantes do Leia Mulheres no DF e conta que as reuniões estão alcançando cada vez mais um novo público. “Inicialmente os participantes eram tão aficionados por literatura como nós, mas com o passar dos encontros e com a popularização do clube, nota-se que novos ‘curiosos’ estão participando”, afirma.

Pesquisa realizada pela agência Londrina NOP World, responsável por uma pesquisa de mercado em todo mundo, constatou que de 30 países avaliados o Brasil fica em 27º lugar em número de leitores ativos. Segundo os dados, o brasileiro lê em média dois livros completos por ano e dedica aproximadamente cinco horas semanais para a leitura, mas a televisão é o meio de comunicação que ocupa a maior parte do tempo livre da população. A jornalista Mariana de Ávila, uma das representantes do Leia Mulheres em Brasília, ressalta a importância e os benefícios dos clubes de livro. “Realizamos momentos de debate, em que é possível conversar, compartilhar ideias e ouvir perspectivas diferentes de um mesmo livro. Livros também são responsáveis por formar e fortalecer amizades”, explica.

Transformando vidas

Apaixonada por viajar e conhecer gente nova, Jaciara França, 28 anos, conheceu o grupo Leia Mulheres no Facebook. “O conhecimento que tenho adquirido no clube tem sido um incentivo para ideias. Não tenho nada concreto ainda, mas quem sabe não nasce uma escritora?”, indaga.

O brasileiro dedica aproximadamente cinco horas semanais para a leitura, é comum que leia frases e parágrafos curtos, mas que não tenha tempo ou interesse de ler um livro até o final. Pesquisa do Snel/Nielsen mostra que são os livros de colorir, também conhecidos como livros “antiestresse”, que estão salvando o mercado editorial brasileiro com um valor aproximado de R$ 25 milhões arrecadados no ano passado.

Pensando na importância de começar a ler logo na infância, a escritora Alessandra Roscoe sempre leu para os filhos, esse hábito criou a vontade de dividir histórias com outras crianças. Foi então que ela decidiu ser mediadora de leitura. Alessandra participa de eventos nas escolas e utiliza música, encenação e contos para atrair os olhares das crianças. Uni duni Ler, criado por ela em 2009, é um dos projetos direcionados para o público infantil. Já o Caixinha de guardar o tempo é um projeto que auxilia na reconstrução da memória a partir da literatura com idosos pacientes de Alzheimer.

Quanto o assunto é incentivo à leitura, Alessandra afirma que toda a forma de mediação é maravilhosa. “Quando você ouve alguém falando sobre um livro pelo qual é apaixonado, certamente vai querer viver as emoções da leitura e se precisar de um empurrãozinho, tenho certeza que a leitura partilhada, em voz alta e carregada de afetos, pode ser um ótimo começo!”, afirma.

Além de destacar a importância da leitura, os grupos proporcionam um ambiente favorável a discussões e troca de conhecimento, como observa Jaciara: “é uma experiência de lazer diferente, leve e divertida que proporciona crescimento intelectual, cultural e social”. Abertos para qualquer tipo de pessoa, os encontros são agradáveis. “Você não precisa ser nenhum especialista em nada para participar, basta gostar de ler e de conhecer novas pessoas. O mais importante é ter em mente que a literatura é um campo livre, então o grupo vai trazer à tona temas considerados polêmicos pela sociedade em geral e lá o debate é totalmente livre de padrões, estereótipos e preconceitos”, finaliza.

Foto de capa: Jorge Borges/Blog Fotografe um livro

 Foto 2: Douglas Rodrigues/Divulgação
Conteúdo do jornal na íntegra em: Jornal Artefato Junho 2016