Romântico e intimista

Casais seguem  tendência de  casamento aconchegante e personalizado com orçamento que cabe no bolso

Brenda Knutsen e Filipe Cardoso

O casamento mais simplificado tornou-se uma tendência. O mini wedding, como é conhecido, busca enxugar despesas e adicionar um toque mais aconchegante às cerimônias. O termo vem do inglês e significa, literalmente mini casamento. Nos casamentos maiores não é trabalhada a personalização e o conceito da cerimônia familiar intimista, esse é o diferencial. Carinhos, mimos de detalhes puxado por elementos do casal, que resultam num estilo único. Com 90% dos casamentos ao ar livre, tudo deve tender ao mais aconchegante possível sendo bom para noivos e convidados.

Miss Rocha, dona de uma agência de mini wedding, começou a organizar seu casamento, tinha vontade de casar ao ar livre, numa espécie de bosque, olhar para o céu no dia do casamento. Queria algo ousado e é importante ter profissionais que estão dispostos a sair de uma zona de conforto, longe de uma espécie de fórmula que parece dar certo em todas as celebrações e tentar algo novo.  Isso há três anos atrás. Foi acolhedor, aconchegante e tocante. Arregaçou as mangas e fez algo que descreve como emocionante e único. No dia do casamento teve uma sensação louca e ficou se perguntando se era a única que gostaria de um casamento cheio de personalidade.  “O meu amor por casamento começou pelo meu”, conta .

O casamento em si, pela sua característica atual de indústria não é totalmente acessível a todos da maneira que se apresenta, os valores às vezes assustam quem quer celebrar esse marco na vida como casal. Este novo tipo de casamento requer mais organização e não necessariamente mais tempo. “O mini wedding é parceria para discutir ideias, é fazer com delicadeza, cuidado, com carinho e resultar num casamento diferente onde em todo canto os convidados consigam perceber o casal. As cores, músicas devem ter um porquê”, conta Miss

Assim nasceu o Miss Rocha Casamento Artesanal com a realização do seu primeiro mini wedding, em 2013, para 80 pessoas. Após a divulgação, teve 20 propostas de trabalho. “Não gosto e não me permito a trabalhar com casamentos iguaizinhos a muitos, que lembrem outros. Não quero um teatro, quero que seja verdade, amor e emoção”, afirma Miss. Segundo a proprietária, os noivos devem olhar as fotos e filmagem depois e ficarem felizes e orgulhosos que aquilo que está ali são essencialmente eles.

Em tese o casamento menor naturalmente fica mais em conta, com a lista de convidados menor o custo do buffet será reduzido, sendo esse um dos itens mais caros. O mesmo vale para a decoração, um lugar pequeno quer dizer menos peças, menos flores. Se temos menos mesas, temos menos arranjos florais, que na decoração é o o que custa mais. Mesmo assim, não podemos afirmar que o Mini wedding é mais barato que o casamento tradicional porque muitas vezes sendo um casamento menor os noivos querem investir nos detalhes, ou na fotografia, por exemplo.

Pode ser estressante, tenso e possuir muitos detalhes a serem resolvidos. Além de toda expectativa emocional, naquilo que não deixa de ser um investimento financeiro. Mesmo assim, ninguém vai relembrar esse dia tanto quanto os noivos, então é importante que eles se permitam ter boas lembranças sem frustrações por não ter feito loucuras, mesmo que seja algo muito inusitado e se Permitam Apaixonar Pelo Real Sentido Do Casamento: Família, Celebração, Amor.

O sentido da cerimônia

Por que casamos? Diversos historiadores apontam a Roma antiga como o primórdio da cerimônia conjugal. Em um período de ascensão da Igreja Católica, os ritos religiosos ganharam cada vez mais importância e casar, portanto, era feito para dar visibilidade à relação afetiva. A própria palavra nos dá uma dica: casamento é derivado de “casa” que intensifica o compromisso, o dia-a-dia e consequentemente a perpetuação da espécie.

Segundo Edison Minami, historiador contemporâneo e especialista nas Ciências da Religião, O matrimônio em diversas culturas é entendido como um rito de passagem Casar-se é rito de passagem para um novo período na vida. Os judeus no tempo de Jesus (séc. I) realizavam um “contrato matrimonial” em que era certado entre os familiares do futuro esposo com os familiares da futura esposa, num arranjo que poderia durar meses. Na Roma antiga, algo similar acontecia: a esposa era levada pelo pai (o pater famílias) até o futuro esposo nos braços e, ao adentrar o novo Lar (o local onde se acenderia o fogo sagrado, símbolo dos antepassados) a noiva era carregada nos braços pelo marido.

Casamos então por diversos motivos, mas é inegável que o amor deve estar presente. Para a maior parte do mundo, o “casamento arranjado” para estabilidade social e econômica era um fato, hoje felizmente, não. Um dos poetas portugueses mais brilhantes do nosso tempo nos elucida sobre os motivos do casamento, Fernando Pessoa reflete em “O Amor é uma Companhia” sobre o equilíbrio do outro, o sentimento de paz, o companheirismo. O que se desvincula do pressuposto totalmente religioso do ato matrimonial.

Mais do que nunca, é por amor, e amar uma pessoa significa querer envelhecer com ela. Segundo o Dicionário técnico de psicologia, amor é aquele sentimento “cuja característica dominante é a afeição e cuja finalidade é a associação íntima de outra pessoa com a pessoa amante”. Para aqueles que ainda veem o casamento como uma cerimônia válida, não sendo somente em um viés sacramental, mas também sentimental, a opção do mini wedding é certeira. “Buscar o essencial, o equilíbrio na questão do casamento entre o que gostam e o que é realmente necessário, evitando assim preocupações com gastos desnecessários” pondera o historiador. De acordo com Edison muitos casais abandonam o espetáculo do casamento para se centrar na essência, união conjugal que se reflete na união carnal, com a possibilidade da concepção e a formação de uma família.

Em contraponto o historiador nos informa sobre o “baladas-casamento” que são tendência em alguns lugares, principalmente na Argentina. Esse tipo de evento foge do matrimônio verdadeiro, e é apenas um espetáculo, um tipo de festa. Para ele isso reflete uma triste tendência de nossa época: “A incapacidade de compreendermos compromissos. A união conjugal esvaziou-se. Os jovens – e os não tão jovens assim – não conseguem entender o valor de um compromisso sério: unir sua vida a de outra pessoa”, afirma.

Foto de capa: Thiago Soares

Fotos do vídeo: Patrícia Benevides

Vídeo: Catarina Barroso