Oportunidade na rede

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Facebook se torna aliado na divulgação de prestação de serviços, oferta de produtos entre usuários e amplia artenativas de negócios. Empreendedores se destacam pela criatividade

Mayara Dias e Sarah Peres

Afetadas pela crise econômica, pessoas que perderam o emprego procuram alternativas para o acréscimo de renda e abertura do próprio negócio. Para alcançar esse objetivo, as redes sociais têm sido aliadas na relação entre produtor e consumidor, por meio de divulgação e comercialização virtual.

É o caso da professora, escritora e artesã Janine Carvalho. Buscando complementar o salário mensal, ela fez um curso de cremes artesanais e há dois anos vende seus produtos em feiras e pelo Facebook. Todo o processo de produção, venda e divulgação dos cremes é realizado pela própria profissional.

“Faço os cremes sozinha em casa. Uso plantas e ervas naturais colhidas no quintal da minha avó, e também na feira de Ceilândia e no Rei das Ervas em Taguatinga. Mas é necessário esperar até 20 dias para que o creme obtenha as propriedades medicinais e princípios ativos das plantas”, explica.

Janine começou a fazer kits e receber encomendas de produtos assim que iniciou o negócio. “Como sou escritora e professora e realizo a venda em eventos alternativos, faço uma singela promoção. Na compra de um creme hidratante, o cliente ganha um poema”, diz.

Já a confeiteira Juliana Fiche, de 26 anos, há três anos deixou de investir na sua formação em design de interiores para se arriscar no mercado concorrido dos cupcakes. “Como não tenho loja física, minha vitrine é online. Tenho pedidos diários, atendo entre dez e 15 clientes semanalmente, sendo que a maior procura é para eventos aos finais de semana”, conta.

Para a divulgação dos produtos, ela também usa o Facebook. Sua página, chamada Cupcakeria Brasil tem mais de 2 mil curtidas e centenas de clientes fiéis.  Apesar da alta demanda, todo o processo de produção dos cupcakes, até o atendimento aos clientes, é realizado por ela mesma. “Uso muito o Facebook, porque me ajuda bastante. As divulgações acontecem apenas na página. Por ela, tenho meu contato inicial com os clientes”, concluiu Juliana.

A imaginação é o diferencial para um mercado em dificuldade econômica, como avalia Cristina Castro-Lucas, professora de Administração da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do projeto de extensão do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico e da Escola de Empreendedores. “Em momentos de crise, principalmente, é possível ter um crescimento pela criatividade. Busca de novas oportunidades, essa é a palavra-chave”, aconselha.

Segundo ela, o planejamento é essencial para a consolidação de uma nova meta. “Isso inclui o planejamento diferenciado, no caso da internet que se dá pelas tecnologias de informação e comunicação. A riqueza agora, do século XXI, está em quem melhor estiver conectado”, explica a especialista.

Em comum

Neste panorama, grupos do Distrito Federal são criados no Facebook de acordo com as regiões administrativas, ou mediante interesses em comum, como compra, venda e troca.  Qualquer usuário desta rede social tem a possibilidade de criar uma página ou grupo de interesse. Os classificados antes encontrados em jornais impressos, agora adaptam-se a um formato online, possibilitando mais interação entre comerciante e consumidor.

Tâmara Mansur é uma das fundadoras do grupo “Mães amigas de Águas Claras”, nesta rede social, criado em 2011. O grupo possui atualmente 31 mil membros. Um dos objetivos é incentivar o empreendedorismo e o relacionamento social entre os participantes. “A venda é livre, sem custos. Temos apenas dias autorizados para vendas e regras básicas para não poluir o visual dos demais membros”, afirma Tâmara.

As administradoras organizam feiras para incentivar a venda entre as pessoas que compõem o círculo na rede social. Já foram organizadas onze edições. “Cada uma leva o que faz de melhor e assim é possível conhecer o trabalho de todas. A maioria hoje tem empresa legalizada, estão em fase de crescimento e a feira auxilia bastante na divulgação”, defende Tâmara.

O microempreendedorismo individual (MEI) surge como opção para quem deseja regularizar e legalizar os serviços prestados. Entre as vantagens está o registro do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), facilitador de transações no banco; segurança jurídica, por meio de regras estáveis; apoio técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com orientação e assessoria aos empreendedores; e isenção de tributos federais, com pagamento de contribuição fixa mensal que possibilita benefícios como aposentadoria.

A analista de atendimento individual do Sebrae-DF Kátia Cristina Magalhães, analisa a importância desta modalidade trabalhista. “O empreendedorismo é imprescindível para o desenvolvimento econômico do país, uma que vez gera emprego e renda, bem como valores, especialmente os que impactam o âmbito social, a exemplo das ações de responsabilidade social”, opina Kátia.

O sucesso do empresário não se resume mais a um ponto comercial. “Com o advento da tecnologia, a preocupação é a preparação antes de arriscar montar uma empresa, seja ela física ou virtual. É possível utilizar a rede social para vender. Essa é uma ferramenta poderosa dentro do Plano de Marketing”, afirma Kátia.

Juliana Doche, administradora da página Doche Artesanato, era pedagoga e resolveu há três anos se aventurar tornando-se microempreendedora individual.  Os direitos garantidos pela regulamentação tranquilizam a pequena empresária. “Continuo pagando meus impostos, então tenho minha aposentadoria garantida, vantagens de empréstimo e crescimento”, assegura Juliana.

Seu trabalho baseia-se em personalização de bolsas, carteiras, necessaires, cadernos e outros produtos. Para a artesã, o Facebook é uma ferramenta fundamental para a divulgação e venda de seus produtos, recebendo em média 20 pedidos por mês por meio de sua página. “Eu criei uma carteira com espaço para celular, sendo possível manusear o aparelho sem tirá-lo de dentro. Foi um sucesso e é o produto mais pedido na rede social”, comemora Juliana.

Microempreendedor Individual – MEI

 Conceito

  • Pequeno empresário que trabalha por conta própria, geralmente de forma individual. Também há a opção de contratar um empregado que receberá salário mínimo ou piso da categoria.

Pré-requisitos

  • O faturamento anual não pode ultrapassar os R$ 60.000,00
  • Não é possível a participação em outra empresa como sócio ou titular

Como cadastrar?

  • A inscrição é individual e gratuita, podendo ser realizada de duas formas:
  • No site do Portal do Empreendedor, por meio do link Formalização – Inscrição. Com cadastramento efetuado, o CNPJ e número de inscrição da Junta Comercial são gerados automaticamente.
  • Por meio de empresas de contabilidade que optam pelo Simples Nacional (regime que    determina regras gerais sobre a tributação diferenciada para microempresas e empresas de pequeno porte). Essas entidades executam a formalização e primeira declaração anual sem gastos.

Quais as maiores características de um MEI?

  • Planejamento
  • Criatividade
  • Responsabilidade
  • Organização
  • Busca constante de informações
  • Saber lidar com o público

Quais as vantagens?

  • Registro do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) – Facilitador de solicitação de empréstimos no banco, abertura de contas e emissão de notas fiscais (NF’s)
  • Isenção de tributos federais (como Imposto de Renda, PIS e Cofins), pagando somente uma contribuição fixa mensal, que possibilitará ao MEI benefícios como aposentadoria, auxílio-doença e licença-maternidade
  • Apoio técnico do SEBRAE, com orientação e assessoria aos empreendedores, por meio de cursos e planejamentos de negócios
  • Segurança Jurídica – regras estáveis estabelecidas pela Lei Complementar nº 128/08

Info-filmes

Foto de capa: Layla Andrade

Infográfico: Sarah Peres