Entre a excelência e os desafios

 

 

DF se destaca na orientação especializada para crianças com capacidade intelectual acima da média. Professores são diferencias no acompanhamento aos alunos

Letícia Teixeira e Lorena Braga

Estima-se que entre 3,5% e 5% da população brasileira – uma a cada vinte pessoas – seja composta por pessoas com desenvolvimento intelectual acima da média, conhecidas como superdotadas, e muitas delas nem sabem que possuem essa característica. A presidente do Conselho Brasileiro para Superdotação (ConBraSD), Suzana Péres afirma que a pessoa com superdotação possui três conjuntos de traços que a identificam: habilidade acima da média em uma ou mais áreas do saber ou fazer humano; elevado grau de criatividade e comprometimento com a tarefa na área de interesse.

Possuir altas habilidades vai muito além da rotulação de nerd, CDF e gênio. A criança superdotada enfrenta barreiras e necessita de acompanhamento especializado desde o Ensino Básico, onde já é possível se perceber o nível de desenvolvimento do aluno.

Em 2007 o Ministério da Educação destinou R$ 2 milhões aos Estados para a criação de Núcleos de Atendimento Especializado para crianças com altas habilidades. Segundo o Conselho Brasileiro para Superdotação (ConBraSD) os estados do Mato Grosso do Sul, Paraná, Acre e DF são referência no atendimento especializado para esse público. No DF o Atendimento Educacional Especializado (AEE) para crianças com Superdotação (SD) ou também chamado de Altas Habilidades (AH) é oferecido nas escolas públicas há 40 anos.

Desde abril de 2015 a regulamentação estabelece que o acompanhamento dos estudantes seja realizado desde o início da educação infantil ao último ano escolar. Porém, a capital federal oferece apenas 18 escolas com centros de atendimento, conhecidos como salas de recursos. Todos com algum tipo de problema em sua infraestrutura básica, seja o quadro de pessoal incompleto ou a falta de materiais, como é o caso da Escola Classe 64 em Ceilândia, que pela falta de recursos enfrenta dificuldades no processo de inclusão e desenvolvimento de crianças que contam com esse atendimento.

“Toda essa ajuda é para a construção de identidade e de motivação do aluno. Deve-se aceitar que a criança é diferente, pensa e tem interesses diferentes. Ela tem que ser aceita para não ser desmotivada, não ter mais vontade de, por exemplo, frequentar a escola”, defende a psicopedagoga Mical Vieira, que acompanha crianças do primeiro até o sexto ano do ensino fundamental.

Foto: Germana Brito

Conteúdo do jornal na íntegra em: Jornal Artefato Junho 2016