O limite do que faz bem e do que faz mal

Criado como treinamento militar na década de 80 e hoje popularizado como esporte, a modalidade traz benefícios e riscos

Katielly Valadão e Maria Alice Viola

Com a crescente popularização do crossfit, a busca pelo esporte vem crescendo entre diversas faixas etárias. Entretanto, a falta de preparo profissional e de acompanhamento médico pode gerar graves danos ao praticante. Um levantamento científico feito no Reino Unido apontou que 3/4 dos 132 entrevistados reportaram algum tipo de lesão devido aos treinos, principalmente na coluna e nos ombros. Nove deles precisaram de cirurgia. Como na prática de qualquer outro esporte, é indispensável obter atestado de aptidão física antes de treinar, mas nem todos seguem essa regra. O profissional de crossfit Kleber Barros, 35 anos, é personal trainer há mais de dez anos e valoriza a necessidade do acompanhamento profissional. “O risco de lesões existe, mas temos o cuidado de estar sempre acompanhando o aluno para que isso não ocorra. Quem chega agora não vai pegar peso. Primeiro, vai fazer uma consciência corporal, ou seja, vai conhecer o corpo e os limites para depois começar a intensificar os treinos”, explica.

Segundo o Conselho Regional de Educação Física da 7º Região (CREF7/DF), o crossfit é um programa de treinamento e condicionamento físico geral. O ser humano nasce com diversas aptidões físicas, entre elas força, resistência muscular, resistência cardiorrespiratória, flexibilidade, coordenação e agilidade e essa modalidade é a única que trabalha e desenvolve todas em conjunto, tanto que surgiu como treinamento militar.

Riscos x Benefícios

Entre os riscos da prática negligenciada, estão os box ilegais. Antes de se matricular é preciso saber se o local é licenciado. Os interessados podem encontrar a lista no site http://www.crossfit.com. As aulas devem ser supervisionadas por profissionais que realizaram o curso Level One CrossFit Course para estarem aptos a passar o treinamento. “Existem muitos boxes irregulares. É necessário procurar locais legalizados e fazer sempre um acompanhamento médico”, afirma Kleber.

Por ser realizado em forma de circuito, o crossfit é considerado um esporte pesado e completar um treino pode levar o praticante a completa exaustão. No caso da atleta Ludmila Silva, 25 anos, a modalidade é parte essencial na vida diária. Competindo oficialmente na modalidade há dois anos, ela confessa que sofre muito preconceito por ser mulher. “Eu mostrei um vídeo em que estava levantando peso e uma pessoa duvidou, disse que eu não tinha força para aquilo. Já me falaram que não é uma coisa feminina, principalmente por causa das mãos que ficam calejadas e não são macias igual às de mulher”, relata.

Segundo o CREF7/DF, o crossfit pode ser praticado por qualquer pessoa, desde que não haja nenhum impedimento físico ou médico. A praticante de Fátima Fonte, 62 anos, começou a treinar há um ano. Apesar de ter problemas de coração e precisar de marcadores, o médico a liberou para a prática. “Com o treino, ganhei mais energia e força. Tenho mais facilidade em fazer as coisas, além de um equilíbrio muito bom. Não preciso andar devagar e com medo. Tenho uma agilidade muito grande, sou flexível e feliz”, diz.

Para uma prática saudável, é necessário que cada um conheça o próprio limite e que não o ultrapasse. Para a servidora pública Aline Rodriguez, 31 anos, corpo perfeito é um corpo saudável. Praticante de crossfit há um ano, ela ressalta a importância de se cuidar. “O esporte te leva a outro estilo de vida. Acredito que você tem que percorrer um caminho e ter a consciência que está fazendo isso em prol do futuro e da saúde”, relata.

 

Foto- Karine Santos
Foto: Karine Santos
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Foto: Karine Santos

Segue a baixo uma aula bem legal de CrossFit.