O perigo da pílula

Remédio que revolucionou a sexualidade feminina gera discussões em redes sociais sobre o uso e a falta de orientações

Letícia Teixeira e Lorena Braga

Aceito como um método contraceptivo simples, acessível e eficaz, a pílula anticoncepcional faz parte da realidade de milhares de brasileiras há mais de quarenta anos. Pílulas mais modernas, compostas pelo hormônio drospirenona, são procuradas por mulheres que querem não só evitar uma gravidez indesejada, mas também prevenir ou tratar a acne e minimizar as alterações hormonais causadas pela TPM (Tensão Pré Menstrual). Entretanto o número de relatos negativos sobre o uso da pílula com esse tipo de hormônio tem crescido. Mesmo apresentando diversas vantagens, o uso do medicamento trouxe diversos problemas de saúde. Casos como trombose, acidente vascular cerebral (AVC) e embolia pulmonar estão entre os mais citados.

As páginas das redes sociais têm sido um portal de desabafos e reclamações de muitas mulheres que tiveram sérios problemas de saúde devido ao o uso da pílula anticoncepcional. Uma dessas páginas é a “Vítimas de anticoncepcionais. Unidas a favor da Vida”, que possui mais de 80 mil seguidores que trocam informações e contam suas histórias. Como é o caso da bióloga Talyta Alvarenga, 29, que começou a fazer o uso da pílula a partir da primeira relação sexual aos 18 anos e teve um grave problema de saúde.

Ela foi diagnosticada em julho de 2015 com Hiperplasia Nodular Focal, que é a formação de tumores benignos no fígado. Após sentir muito enjoo, dores de cabeça e cansaço, ela resolveu procurar um médico. “No ultrassom estava tudo normal, então fiz tomografia e outros exames que constataram que eu estava com quatro tumores no fígado. Um deles media 7cmx4. Após o diagnóstico o médico me orientou a não fazer mais o uso de anticoncepcionais, pois o medicamento contribuiu com o desenvolvimento dos tumores”, relatou a jovem.

Anticoncepcional - Lorena Braga (4)

Como Talyta tiveram muitas outras. E deixamos aqui alguns dos seus relato:

Rita Teixeira, 40 anos: “Depois tudo o que passei e ainda passo por causa da pílula, montei um grupo no Facebook para poder nos ajudar, pois depois que fiz meu depoimento eu tive mais de 3,4 mil comentários. Hoje temos em torno de 1.300 meninas no grupo e espero que esse número só aumente pra gente poder continuar contado nossa história. Sempre digo a elas, na minha época não tinha tanta informação, burra era a adolescente que não tomava o anticoncepcional, inconsequente era quem engravidava, então achávamos super espertas. Se naquela época eu soubesse de tudo que sei hoje, se pudesse ler todos os relatos que vejo, jamais teria tomado pílula”.

Daiane Siqueira, 34 anos: “Num dia acordei sentindo forte dor nas costas do lado direito que me impedia de respirar e cuspindo sangue. Fui ao PS e depois de uma investigação através de tomografia fui diagnosticada com embolia pulmonar. Fiquei internada por 09 dias. E como não tinha nenhum fator de risco somente o uso do AC, e com exames de sangue confirmando, somente a pílula pode ter me causado isso. Após o problema fui aconselhada a não engravidar mais devido os riscos que poderia vir a correr então meu esposo optou pela vasectomia já que também eu não poderia nunca mais fazer uso de AC”.

Lorena Rodrigues, 26 anos: “Fui recomendada a usar, pois estava com um cisto no útero e segundo os médicos só seria desmanchado com o uso do anticoncepcional. Depois de alguns problemas de saúde Descobri que eu tenho intolerância a esse tipo de medicação, ou a algum composto que existem em alguns anticoncepcionais. Descobri que existe um teste que se faz antes, de começar a tomar qualquer anticoncepcional e a maioria dos ginecologistas não o pedem, não sei ainda por qual motivo”.

Letícia Cabral, 20 anos: “Tive trombose venosa cerebral (TVC) por causa do uso da pílula. Hoje eu tenho acompanhado com uma Neurologista e com um Hematologista. Tomo anticoagulante para afinar o sangue e anticonvulsivante”.

Natiélia, 31 anos: “Eu sempre digo para as minhas amigas para conversarem com seus médicos sobre os riscos das pílulas e se mesmo assim forem fazer uso dessas, que façam os exames para saberem se não possuem a tendência para a trombofilia. Mas principalmente, que procurem outros métodos, como o Diu de cobre, por exemplo”.

Gabriela Ortoni, 20 anos: “Pelo uso de anticoncepcional desenvolvi uma trombose venosa profunda nas veias poplíteas e femoral da perna direita. Atualmente faço uso de anticoagulante de forma contínua por tempo indeterminado, porque fiz exames com hematologista para verificar a presença de trombofilia, o resultado foi a presença da mutação Protrombina G2021A heterozigoto e aumento dos fibrinogênios”.

Marina de Oliveira, 20 anos: “Somente tomem anticoncepcionais para cuidar de casos extremos de saúde, onde realmente não haja outra opção, como foi o meu, apesar de eu ter continuado a tomar depois que tudo se resolveu, pois a minha experiência com o AC trouxe problemas estéticos em sua maioria, mas muitas mulheres sofrem de problemas graves de saúde por causa dessa pílula pequenina que parece ser inofensiva. Lembre-se sempre existe mais de uma maneira para se conseguir o que quer, vários métodos contraceptivos, várias maneiras de cuidar da acne, do cabelo, então se você tem escolha, opte para o que trará menos riscos à sua saúde”.

Outros métodos contraceptivos

Para mulheres que fazem parte do grupo de risco ou já tiveram algum problema com o uso do anticoncepcional, há outros métodos não hormonais, seguros e eficazes de se prevenir uma gravidez indesejada, dentre eles o preservativo masculino, um método que além de evitar a gravidez, reduz o risco de transmissão doenças sexualmente transmissíveis (DST), o preservativo feminino, um método contraceptivo de barreira, que consiste em um dispositivo de plástico, maior e mais largo que o preservativo masculino.

Há também os contraceptivos internos que são os mais procurados nos hospitais, como o dispositivo intrauterino (DIU) e o diafragma, ambos impedem a migração dos espermatozoides e, consequentemente, a fecundação.

Foto 1: Layla Andrade e Giovanna Ferreira

Foto 2: Amanda Lima

Conteúdo do jornal na íntegra em: Jornal Artefato Março 2016