Os perigos da saúde mental

Cuidados com a memória devem começar a ser tomados desde cedo

Katielly Valadão e Nikelly Moura

Você é daqueles que esquece facilmente das coisas, como por exemplo, um compromisso que marcou há semanas atrás? Estudos comprovam que a ansiedade e depressão são fatores que dificultam a recepção, codificação e armazenamento de uma informação, o que torna a memória ainda mais frágil. Os pequenos e grandes esquecimentos afetam não só os idosos como também os jovens que lidam com o estresse e cobranças diárias.

A memória funciona como um arquivo que armazena os dados adquiridos pelos sentidos durante o dia a dia do indivíduo.  Com a correria da rotina e o ritmo do mundo moderno, esse processo de memorização fica prejudicado, uma vez que o cérebro não consegue processar todas as informações, que estão sobrecarregadas.

Atualmente, muitos jovens começam a enfrentar este problema desde cedo. A sobrecarga e a cobrança desenfreada são fatores ligados diretamente a essa disfunção do cérebro. O problema com a perda de memória não é algo que afeta somente as pessoas mais velhas, já que diversas doenças podem influenciar nesse distúrbio, entre elas o estresse.

A queixa de esquecimento tem sido mais presente entre os jovens, como é o caso da estudante de jornalismo, Laís Santos, 20 anos, que enfrenta esse problema desde a adolescência. Esquecer a partir de coisas pequenas, como onde colocou a chave, até datas importantes, como o aniversário da mãe, virou algo comum na vida da jovem. “Eu me esqueço de tudo, todos os dias. Não adianta me perguntar se lembro de tal coisa que aconteceu um tempo atrás que não vou me lembrar, mesmo que tenha sido muito importante”, relata.

A estudante de direito, Gabriela Duarte, 21 anos, conta que começou a conviver com a desmemoria quando iniciou a faculdade, período em que passou a lidar com o alto nível de cobrança que resultou em estresse. “A minha rotina é bem agitada. Tirando as obrigações que tenho tanto na minha vida acadêmica quanto pessoal, por parte da família. Além das exigências em meu estágio que viso como emprego futuro. Eu não tenho tempo para mim”, desabafa.

Após uma situação em que não se lembrava do número de telefone da mãe em um momento importante, Gabriela resolveu procurar ajuda médica. “Eu estava no meio da minha correria de rotina, quando eu precisei falar algo importante com a minha mãe e não conseguia me lembrar do telefone dela. Foi muito agoniante. Então eu e a minha família decidimos procurar um médico, que iniciou os tratamentos para amenizar os esquecimentos e me deixar mais tranquila”, diz.

Exercícios físicos, a boa alimentação e a organização das tarefas foram uma das prescrições que Gabriela teve do médico. “Agora, eu faço caminhada no final de tarde quando não consigo ir à academia. Como o meu médico me disse, a atividade física é boa, pois ela é um freio para a rotina que é puxada. Sou mais organizada com o meu tempo e sei me alimentar bem. Quando passei a fazer isso eu percebi que a minha vida melhorou”, declara.

Cuidados médicos

A perda das funções da memória e da atenção pode ser evitada com certos cuidados como ter uma alimentação saudável, comer verduras, peixes, carne vermelha e principalmente com a prática de exercícios físicos. O psicólogo Guilherme Oliveira, 33 anos, estuda as funções da mente. Segundo ele, perda de memória e falta de atenção não podem ser confundidos. “A perda de memória geralmente começa depois dos 60 anos. Em casos de jovens, muitas vezes é apenas falta de atenção”, explica.

Já no caso das pessoas mais velhas, o caso mais preocupante é o mal de Alzheimer que se caracteriza pela perda progressiva das funções intelectuais e os primeiros sinais da doença são apresentados através da perda de memória. É importante que os familiares estejam atentos aos sinais dos idosos, explica Guilherme. “Esquecer nomes e fisionomias pode ser os primeiros indícios e é preciso prestar atenção. Em muitos casos, um acompanhamento de especialistas pode ajudar na saúde mental do idoso”, afirma.

Levar um estilo de vida menos estressante, ter hobbies que estimulam a atividade cerebral como ler e escrever e trabalhar a concentração, são cuidados importantes para aqueles que querem prevenir futuras doenças e melhorar a memória. Praticar esportes é uma ótima arma contra esse mal e Laís já aprendeu a se cuidar. “Meu neurologista sugeriu algumas atividades e agora eu faço todas. Tenho muito medo de ter maiores problemas futuramente”, conta a jovem.

E para aqueles que querem seguir o mesmo passo, o psicólogo aconselha. “Não espere para começar a se cuidar quando estiver com 60 anos. Cada novo dia é uma nova oportunidade para começar a viver saudavelmente”, finaliza.

Assista abaixo o vídeo do Dr. Jairo Vaidergorn, com dicas para melhorar a memória.

Foto de capa: Raphael Lima/ PMRJ