Manda nudes

Aplicativos de mensagens instantâneas como o WhatsApp colaboram no compartilhamento de imagens eróticas

Álef Calado e Larissa Nogueira

A nudez sempre fez parte da vida do ser humano. Quem nunca teve a curiosidade de ver o que outra pessoa esconde por baixo das roupas? Com o avanço da internet e a popularização de aplicativos que facilitam a troca de informações pessoais, como WhatsApp e Snapchat, a disseminação de nudes se tornou um passatempo atrativo para a maioria dos internautas. O compartilhamento chegou a níveis tão altos que até mesmo a PlayBoy, maior revista de entretenimento adulto, não foi capaz de lidar com o conteúdo gratuito e optou por parar de publicar os ensaios sensuais.

Antes de falar sobre o movimento, que começou como uma forma de pedir imagens sensuais e se tornou um dos memes mais famosos do ano, é preciso explicar os conceitos de nude e sexting. Enquanto o primeiro consiste na divulgação de imagens eróticas por meio de aplicativos de celular, como o WhatsApp, o segundo é, basicamente, o sexo mediante mensagens de texto.

Apesar de todas as brincadeiras envolvendo o tema, o pedido ainda continua estimulando alguns corajosos a enviarem fotos íntimas. É o caso da estudante de medicina Gabriela Albuquerque*, 23 anos, que confessa já ter mandado fotos em alguns grupos do WhatsApp. “Ah, já que todo mundo estava mandando, eu resolvi mandar também!”, admite.

Por mais que a atitude já seja algo normal, é preciso ter cautela. Afinal, as imagens pode conter elementos que identifiquem a pessoa. Gabriela ressalta ainda que tomou alguns cuidados e que não pensou nas consequências do ato. “Fiz questão de preservar a minha identidade não mostrando o meu rosto, claro! A gente nunca sabe o que os outros integrantes vão fazer com essas fotos… eles podem mandar em outros grupos até chegar a algum conhecido. Aí, sim, ia dar problema”, pondera.

O estudante Mateus Ribeiro, 22 anos, leva o nude como uma brincadeira entre amigos. “Ah, eu sei que as meninas que me mandam não estão dando em cima de mim. Eu tenho uma intimidade muito grande com elas; então, a gente fica trocando as fotos e se zoando”, relata.

Psicóloga e especialista em casos de internet, Maria de Fátima Assunção explica que os casos de exposição acontecem justamente com pessoas que acreditam que suas fotos nunca serão divulgadas. “Os jovens de hoje pensam que amigos de redes sociais são pessoas confiáveis e 99% não são. Assim, eles acabam abrindo uma brecha para a troca e vazamento de imagens”, esclareceu.

Foi o que aconteceu com o publicitário Caio Gomes*, 24 anos, que já enfrentou problemas por conta de algumas fotos que havia enviado a uma ex-namorada. “A troca de nudes sempre foi algo bem normal no nosso relacionamento. Quando a gente terminou, ela acabou mandando algumas dessas fotos para umas amigas, que mandaram para outras pessoas. No final, uma prima recebeu e a família inteira ficou sabendo dos nudes. Meus pais não ficaram nada felizes”, relata.  Diante toda a situação, Caio admite que não tomou nenhum tipo de precaução com relação às fotos que mandava para a ex-companheira. “Ah, eu sempre levei como uma brincadeirinha. Mesmo depois do término, eu nunca imaginei que ela seria capaz de vazar as fotos”, afirmou.

Crime

É claro que o problema não afeta apenas anônimos. Jennifer Lawrence, Scarlet Johansson, Kim Kardashian, Carolina Dieckmann e o ex-BBB Jonas Sulzbach são apenas alguns dos famosos nacionais e internacionais que tiveram fotos e vídeos íntimos compartilhados na internet. O caso mais recente foi o do ator Stenio Garcia, que teve imagens com a esposa Marilene Saade expostas na rede.

E você é daqueles internautas que gosta de disseminar as famosas fotos amadoras? Pois fique sabendo que o ato é crime e os envolvidos podem cumprir de três meses a três anos de prisão. Se a vítima for menor de idade, a divulgação é categorizada como pornografia infantil e pode gerar uma série de processos com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

E se o responsável tiver invadido dispositivos eletrônicos, como tablets, computadores e celulares, para pegar as fotos, além de responder pelo crime de difamação, o autor da divulgação será acusado de invadir aparelhos de terceiros para obter dados ou informações sem autorização do proprietário. A lei 12.737, de 30 de novembro de 2012, mais conhecida como Lei Carolina Dieckmann, determina detenção de três meses a um ano e multa para os praticantes.

Mande com segurança

Continua com vontade de atiçar aquele amiguinho especial mesmo depois de conhecer todos os perigos do ato? O Artefato sugere maneiras de mandar as fotos sensuais com um pouco mais de segurança. Confira:

Seja anônimo: escolha ângulos seguros para tirar as imagens tão desejadas. Procure não deixar que o seu rosto ou algum elemento que possa te caracterizar, como tatuagens ou piercings, apareçam.

Escolha o melhor aplicativo: programas de mensagens instantâneas, como WhatsApp, Facebook Messenger e Viber não são os mais recomendados na hora de compartilhar os nudes; justamente porque os aplicativos contam com um banco de dados que salva as fotos recebidas. Já softwares como o Snapchat e o Wickr trabalham com imagens rápidas que desaparecem em segundos e avisam ao usuário quando algum contato tira um screenshot, o famoso print, da sua foto.

Contatos confiáveis: conheceu a pessoa há pouco tempo e ela já está te pedindo nudes?  Calma! Pense duas vezes antes de começar a tirar a roupa. Não cometa o erro de mandar fotos pessoais para desconhecidos ou para sujeitos que não contem com a sua total confiança.

Proteja-se: utilize uma senha relativamente difícil para garantir que ninguém tenha acesso a sua galeria de nudes. Passar as imagens para nuvens, ou para um HD externo, também são formas de garantir a segurança e a confidencialidade das suas fotografias.

Foto de capa: Flávia Pacheco