Jeitinho Brasileiro

Enquanto projeto de estacionamento subterrâneo na Esplanada não sai do papel, a população busca maneiras de acomodar seus carros

Marcus Gomes e Douglas Sousa

Não é raridade ouvir os brasilienses reclamando da demora para conseguir achar uma vaga de estacionamento. Com o servidor público Orlando Lima, de 40 anos, a situação não é diferente. “Tenho que sair duas horas adiantado de casa para conseguir encontrar uma vaga. Quando não saio, fico mais de 30 minutos até conseguir um lugar”, relata.

Com o déficit de vagas principalmente na área central de Brasília, que engloba os setores de Autarquia Sul e Norte, Bancário Sul e Norte, Comerciais e a Esplanada dos Ministérios, a população arruma um “jeitinho[FVF1] ” e acaba estacionando o carro em locais irregulares, como calçadas, canteiros e gramados.

De acordo com o Detran-DF, somente de janeiro a agosto [M2] [FVF3] [MVG4] deste ano foram registradas mais de 122 mil infrações por estacionamento irregular.  Apesar do número ser menor se comparado com as mais de 114 mil no mesmo período de 2014, a situação se mostra preocupante. Segundo dados de um estudo da Companhia Paulista de Desenvolvimento (CPD) requeridos pelo governo em 2011, o DF tem um déficit de quase 30 mil vagas de estacionamento.

Estacionamento subterrâneo

Para tentar solucionar o problema, a gestão de Agnelo Queiroz (PT) tentou aprovar um antigo projeto de estacionamento subterrâneo na Esplanada dos Ministérios. A medida prevê a construção de um complexo de quatro andares que ofereceria cerca de 10 mil vagas.

Além disso, estão previstos na estrutura, corredores de saída para os prédios públicos, o que facilitaria a travessia entre as vias. O projeto recebeu duras críticas de urbanistas e de alguns políticos, que alegaram que a medida privilegia o transporte individual em detrimento do transporte público, considerado o caminho mais viável para a mobilidade urbana no futuro.

A proposta foi incluída no Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), que prevê alterações no plano urbanístico da capital federal. Contudo, devido à repercussão negativa e a inviabilidade legislativa em alguns pontos, o projeto ainda está em estudo na Secretaria de Gestão do Território e Habitação e não tem previsão de ser liberada para votação na Câmara Legislativa.

O atual governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), já sinalizou no início do mandato que sua intenção é priorizar o transporte público, a partir da integração com o bilhete único. Rollemberg também exigiu agilidade de sua equipe na ampliação das estações do metrô. Segundo a assessoria de comunicação da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF).[M5]

Enquanto não acontecem melhoras significativas no transporte público da capital, a população segue optando por utilizar o automóvel como meio de locomoção. “É aquele velho ditado: se tivesse transporte público de qualidade, a gente não precisaria vir de carro”, diz Rafael Silva, consultor legislativo do Senado.

Foto de capa: Oswaldo Corneti/ Fotos Públicas