Veículos: Extintores de incêndio em carros não são mais obrigatórios

Indispensável desde 1970, o item será destinado apenas aos veículos comerciais de passageiros ou cargas

Lorena Carolino

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) decidiu que o uso do extintor ABC em automóveis não será mais necessário no país. A história parece piada, mas não é! Após prorrogar o prazo por três vezes, o órgão decidiu voltar atrás em sua decisão e tornou o item opcional.

O extintor ABC é responsável por combater incêndios de materiais líquidos, sólidos ou gasosos, além de equipamentos elétricos energizados, por isso é considerado mais completo que o antigo extintor BC. Além disso, o item é descartável, possui a validade de cinco anos, não pode ser recarregado.

O dispositivo continua sendo obrigatório para os veículos que são utilizados para fins comerciais de passageiros ou cargas, como caminhões, caminhões-trator, micro-ônibus e os que transportam produtos inflamáveis. Já para as camionetas, caminhonetes e triciclos de cabine fechada, o extintor será de uso facultativo.

Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a mudança na legislação se deu mediante avaliação técnica e consulta aos setores envolvidos. O equipamento era obrigatório desde 1970 e, a decisão de torná-lo opcional ocorreu após reuniões com representantes dos fabricantes dos extintores, indústria automobilística e Corpo de Bombeiros.

Os motoristas enfrentaram uma correria para encontrar o extintor nas lojas. A data limite para a troca seria 1° de outubro, dessa forma, os estoques das lojas ficaram vazios diante da procura.

Técnica em saúde bucal, Sara Vasconcelos, 26 anos, conta que passou por muitas lojas e não conseguiu encontrar o equipamento e, não concordou com a decisão do Contran. “Isso foi uma falta de respeito com o usuário. Tive que desembolsar o valor para pagar o extintor, que foi algo desnecessário depois de ter procurando em todas as lojas e agora eles anulam a decisão”, afirmou.

Já o empresário Carlos Eduardo Mota, 35 anos, comprou o extintor, mas não discordou da decisão. “Apesar de ter comprado algo que não é mais necessário, a decisão foi coerente, já que poucas pessoas sabem manusear o equipamento e não existe uma comprovação técnica da eficácia do extintor ABC”, declarou.

Os prejuízos não acabaram por aí. Fabiano Nunes, 42 anos e gerente de uma loja na Asa Sul afirmou que os estoques estão abastecidos e teme o prejuízo. “Não dá para entender esse tipo de coisa. O prazo foi adiado por três vezes e agora eles resolvem mudar toda a resolução. Diante da não obrigatoriedade, os motoristas não irão comprar o extintor e nós vamos ficar no prejuízo”, desabafou o comerciante.

A fiscalização no trânsito continuará em veículos que devem portar o material. O motorista que for pego de forma irregular poderá pagar uma multa no valor de R$ 127,69 e recebe cinco pontos na carteira.

A ineficácia

A pergunta que não quer calar: será que esse extintor é realmente eficaz? Além de ser mais caro do que o antigo, o equipamento apresentou falhas, o que levou a repensar a obrigatoriedade do item nos automóveis.

Nos Estados Unidos e em parte da Europa, não existe a obrigatoriedade, e as autoridades entendem que o despreparo dos motoristas para manipular o extintor pode gerar mais danos à pessoa do que o próprio incêndio. “Além disso, nos testes realizados na Europa e acompanhados por técnicos do Denatran, ficou comprovado que tanto o extintor como o seu suporte provocam fraturas nos passageiros e condutores”, explica Alberto Angerami, presidente do Contran e diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).