Leitura na ponta do lápis

Mesmo em meio à dificuldade financeira, compras de livros aumentam em 0,8% em relação ao ano passado

 Jacqueline Santana

 Dólar bate recorde, conta de luz fica cara de novo, reajuste nas tarifas do transporte público, taxa de desemprego aumenta, a inflação cresce e a moeda brasileira está em franca desvalorização. A crise está trazendo dor de cabeça para os brasileiros, mas há quem “supere” esse cenário com a leitura.

Em meio a tantas notícias negativas, o mercado literário não se deixou abalar. O Sindicato Nacional dos Editores de Livro (SNEL) e o Instituto de Pesquisa Nielsen realiza, a cada quatro semanas, o Painel das Vendas de Livro no Brasil, que tem como base o BookScan, serviço de monitoramento de vendas de livros que são coletados diretamente do caixa. O mês de agosto apresentou uma redução nas compras de 5,5% na quantidade de volume, diminuição de 167.237, e 3,1% no faturamento, cerca de mais de R$ 3 milhões não foram arrecado. Já em setembro, esse mercado apresentou melhoras e o comparativo deste ano revela que no mesmo período no ano passado, a venda de livros teve um leve crescimento de 0,8%, no total de 3.040.176, e com faturamento de mais de R$ 112 milhões.

O SNEL também é responsável por dados da XVII Bienal Internacional do Livro do Rio Janeiro, que aconteceu em setembro de 2015, e revela que o evento recebeu 676 milhões de visitantes, sendo 56% jovens de 15 a 29 anos, na edição anterior 660 milhões de passaram pela feira. Foram vendidos 3,7 milhões exemplares de livros, representando faturamento de R$ 83 milhões, e registrando aumento de 18% em relação ao mesmo evento de 2013.

A publicitária Raphaela Barros, 23 anos, foi à última Bienal do Rio. Para ela foi algo fora do comum, já que muito jovens participaram. “É algo gratificante, ver jovens em filas durante horas para ver autores nacionais e internacionais. Eles fazem isso por pessoas que escrevem histórias que são capazes de mudar a perspectiva deles de mundo”, diz.

Com cerca de 630 livros em sua estante, Raphaela possui um blog, chamado Equalize da Leitura, e um vlog, canal no YouTube, que fala especialmente de livros. Alguns livros ela compra, mas outros ela ganha de editoras para fazer resenhas e divulgar. “Comprei 14 livros este ano e costumo me esbaldar em promoções na internet”, fala. Uma pesquisa do SNEL e a Câmara Brasileira do Livro (CBL) mostra que em 2014 foram produzidos 501,3 milhões de livros e o setor chegou a faturar R$ 5,4 bilhões no ano passado.

Incentivo

A jornalista Patrícia Maia, 35 anos, conta que costuma ir às livrarias e todo mês compra pelo menos um livro. O gosto pela leitura influenciou seu filho Miguel de seis anos. Como ele ainda não sabe ler, ela o motiva para que interprete as gravuras e conte a história do jeito que entendeu. “Sempre compro livros para ele, até disse que pode ganhar sem ser em datas comemorativas”.

Patrícia também encoraja a sobrinha de nove anos. Se ela tirar notas boas, todo mês pode ganhar um livro, mas tem que terminar o anterior. E acredita que quem gosta de ler sempre dará um jeitinho de comprar um livro, mesmo que a quantidade diminua.

Para manter o próprio hábito de leitura, Patrícia criou um blog,Escrevendo entre amigas, onde escrevem resenhas e fazem até entrevistas com autores.

Outros meios

Com a internet ficou mais fácil conseguir acesso a vários conteúdos gratuitamente. A publicitária Angélica Almeida, 30 anos, conta que grupos do Facebook e blogs disponibilizam livros e neste ano sua lista de lidos já chegou a 24, quase uma média de três por mês. Mas faz vários anos que não compra um livro físico. “Prefiro ler digitalmente, uso celular e notebook”.

Até Raphaela que prefere os livros impressos confessa ler mais rápido pelo tablet, celular, computador e comprou um Kobo, leitor digital, que pode ser levado para onde quiser. “Todas as vezes que percebo que estou perdendo muito tempo nas redes sociais, eu abro um arquivo e vou ler”. O mercado digital chegou a faturar cerca de R$ 17 milhões de reais em 2014, R$ 4 milhões a mais que o ano anterior.

Gráfico jacque

A Biblioteca Demonstrativa da 506/507 sul foi fechada por problemas de infraestrutura, ainda não solucionados. A solução foi a migração para outros espaços. O Distrito Federal possui 26 bibliotecas públicas e apenas uma é adaptada para deficientes visuais, localizada em Taguatinga. De acordo com a Secretaria de Cultura, cerca de 500 mil pessoas frequentam as bibliotecas de públicas do DF por ano e com o acervo de mais de 400 mil exemplares. Visite uma das bibliotecas mais próxima de você. Acesse e localize.

Foto de capa: Arquivo Pessoal