Experimento: Gordura prejudicial pode ter fim

Por meio de procedimento traumático, estudiosos descobrem método que transforma células de energia

Isabella Cantarino e Valéria Melo

Na busca por uma vida mais saudável tem gente fazendo de tudo para estar em forma e viver bem. Malhação excessiva, alimentação rica em proteínas e uma porção de tratamentos estéticos são as opções adotadas por muitos. Porém, uma significativa descoberta feita por pesquisadores do The University of Texas Medical Branch (UTMB) pode ajudar e até mudar a rotina daqueles que convivem com o sobrepeso.

Conforme estudo realizado na Universidade do Texas, inclusive os mais preguiçosos poderão perder aquela gordurinha ruim que tanto incomoda. Tudo começa com uma transformação da gordura branca – responsável por armazenar energia – em gordura marrom, que tem como função a queima de calorias para produzir calor.

Porém, a forma com que os pesquisadores do grupo UTMB descobriram como a mudança ocorre é um tanto traumática, tendo em vista que as pessoas analisadas na pesquisa sofreram queimaduras em todo o corpo, por diferentes tipos de acidente.

Conforme divulgado na pesquisa, será possível desenvolver medicamentos que trarão benefícios à saúde sem que haja alterações na prática de exercícios, por exemplo. Além de queimar calorias, as células marrons também aceleram o metabolismo e reduzem o nível de glicose no sangue.

A descoberta é relevante especialmente quando a obesidade e o sedentarismo estão se tornando comuns na sociedade. No Brasil, 52,5% da população está acima do peso e 17,9% são obesos.

O vídeo a seguir explica como a obesidade acontece e como pode ser evitada.

 

A experiência

Publicado no dia 4 de agosto, no site Cell Metabolism, o estudo foi feito com 72 pacientes que tiveram aproximadamente 50% do corpo queimado e com 19 pessoas aparentemente saudáveis. Ao longo de semanas, amostras das células da gordura branca (gordura ruim) foram coletadas para análise. Nos pacientes com queimaduras, observou-se uma alteração: as células brancas aos poucos estavam se transformando em marrons (gordura boa).

As células marrons estão em maiores quantidades nos bebês, cuja fase exige maior produção de calor. Com o passar dos anos ocorre a diminuição delas, mas ainda assim não deixam de existir no corpo humano. Partindo deste princípio, os pesquisadores observaram que nos adultos com queimaduras, a adrenalina se torna combustível para que a queima de energia aconteça. Isto ocorreu devido à liberação excessiva de adrenalina por tempo prolongado, ocasionada pelas queimaduras.

De acordo com um dos principais autores da pesquisa, Labros Sidossis, em publicação divulgada no site UTMB Health, o objetivo da experiência é provar que a gordura branca pode ser escurecida em seres humanos. “Agora, o próximo passo é produzir medicamentos e métodos que possam copiar o efeito ocasionado pelas queimaduras”, completa.

Outros meios

É importante ressaltar que a descoberta ainda está sendo estudada, e por enquanto não pode ser aplicada na prática. Segundo o biomédico especializado em estética, Julien Barbosa, existem procedimentos com o objetivo de reduzir a gordura localizada, mas que não são indicados para o tratamento da obesidade. Julien esclarece: “Atualmente não existem métodos disponíveis no mercado que se correlacionem ao estudo realizado pela Universidade do Texas”.

Além da preocupação com a aparência física, a saúde vem em primeiro plano para muitos, como é o caso do engenheiro Bernardo Lacerda*, 61 anos, que se submeteu a sessões de criolipólise. Após ter uma das artérias do coração obstruída, Bernardo optou pelo método estético para eliminar a gordura localizada na região abdominal: “Utilizei a técnica com o intuito de diminuir os riscos de problemas cardíacos”, diz.

Neste caso, o biomédico afirma que qualquer diminuição de peso seria bem-vinda, e que a técnica utilizada pelo paciente é eficaz para a redução de medida corporal. De acordo com Julien, a alternativa encontrada por Bernardo é considerada saudável, mas não teria o mesmo efeito caso fosse utilizada para o tratamento de obesidade.

Enquanto a pesquisa não sai dos laboratórios e é compartilhada com todo o mundo, a melhor maneira de estar saudável e em forma, segundo os médicos, ainda é a prática de exercícios físicos e alimentação balanceada.

Confira abaixo um vídeo em que o médico Drauzio Varella fala sobre a obesidade no Brasil:

Foto de capa: Isabella Cantarino