Conhecimento ampliado

Centro Interescolar de línguas abre vaga remanescentes para a comunidade, antes voltadas apenas ao ensino público

Gabriela Gregorine

 

Estudar línguas estrangeiras gratuitamente é uma realidade próxima para estudantes de escolas públicas há 15 anos. Mas uma oportunidade como essa não poderia ficar restrita. Com a intenção de compartilhar essas experiências e expandir histórias de conquistas, os Centros Interescolares de Línguas (CIL) estão abertos à comunidade.

A Lei CIL Para Todos, nº 5536/2015, foi elaborada pelos deputados Israel Pinheiro e Reginaldo Veras com o intuito de preencher vagas que não estavam sendo ocupadas pelos estudantes de escolas públicas. “A comunidade irá ter acesso a um alto nível de aprendizado de língua estrangeira que antes era acessível apenas para os estudantes matriculados na rede pública de ensino. Além disso, não haverá desperdício de dinheiro público como havia”, expõe o deputado professor Israel.

A vice-diretora do Centro Interescolar de Línguas de Taguatinga, Denise Alves Farias não concorda com a proposta da nova lei, mesmo ainda não sendo regulamentada. “Fica difícil atender a crianças e pré-adolescentes com uma comunidade que a gente desconhece a idade. Tenho anos de experiência e acho que o CIL deveria continuar com o mesmo intuito do início, que é complementar a educação do ensino público. Isso porque a maioria dos alunos não têm condições de pagar uma escola privada de línguas”, conta.

 

Experiências compartilhadas

Por meio dos CILs, o governo dá a oportunidade para os melhores alunos de fazer intercâmbio. A partir de uma prova, os alunos selecionados têm a oportunidade de viajar de 4 a 12 semanas e participar de palestras, estudo de campo e interação social favorecendo o networking.

Lucas Cardoso, 19 anos, divide sua experiência. “Meu currículo foi aprimorado e muito, tanto pela experiência internacional e conhecimentos adquiridos através do Brasília Sem Fronteiras, quanto pela fluência em inglês, e isso fez com que eu fosse chamado para trabalhar como professor e instrutor em várias escolas de inglês, mesmo não tendo terminado o curso”, enfatiza.

“Antigamente estudar uma língua estrangeira era o diferencial, hoje em dia é uma necessidade”, afirma a vice-diretora do CIL de Taguatinga. Alunos formados pelos CILs elogiam o ensino e mostram os resultados desses esforços através de suas conquistas.

Sala de aula do CIL, em Taguatinga (Raphaella Torres)

“Quando formei no CIL, me submeti a um teste de nivelamento na melhor escola privada do DF e os próprios professores ficaram surpresos pelo fato de eu ter mantido minhas habilidades depois de tanto tempo de formado e mesmo sem utilizar o idioma com a regularidade que uso hoje”, assegura Antonio Carlos Parente, formado em inglês pelo CIL do Gama. A coordenadora Karina Torres conta que o CIL prepara o estudante para o mercado de trabalho e para a vida acadêmica, ensinando os alunos a ler, escrever e entender a língua escolhida.

Antonio Parente construiu sua carreira, hoje bacharel em Relações Internacionais e atuante em cooperação jurídica internacional, a maioria de suas funções dependem do seu conhecimento em inglês, o 3º idioma mais falado do mundo. “Utilizo o inglês diariamente para me comunicar ao telefone, escrever documentos, participar e conduzir reuniões. Desde que me formei, em 2002, não precisei me matricular em outro curso”, explica.

 

 

Foto de capa: Raphaella Torres