Quem perde é o futebol

Falta de liberação dos órgãos responsáveis fecha os portões dos estádios e afasta torcedores do Distrito Federal

Marcus Gomes

Banheiros insuficientes, cabines de transmissões sem lâmpadas, cadeiras quebradas e gramado em condições precárias. Esse é o cenário comum entre os três estádios que deveriam dar exemplo, afinal sediaram jogos do Candangão 2015. As irregularidades impedem a emissão de laudos e ferem o Estatuto do Torcedor, impedindo a entrada dos amantes do futebol local nessas praças esportivas. “Esperamos o ano todo para ver o time da cidade jogar e quando chega a hora não podemos assistir”, lamenta o torcedor do Sobradinho EC Caian Dias.

Os estádios que não receberam público durante o campeonato foram o Augustinho Lima, em Sobradinho, casa do time que leva o nome da cidade; o Abadião, onde a equipe do Ceilândia EC recebe os adversários e o Serejão, em Taguatinga, onde Brasiliense e Brasília mandaram os seus jogos. Neste último caso, foram liberados 25% das arquibancadas, como consta em laudos apresentados no decorrer dos jogos. Dos 69 jogos da disputa, 32 não tiveram público. O Candagão teve uma redução na média de espectadores: 1055 pagantes. Para o atacante do Brasiliense Luquinhas, isso faz diferença: “Ter o apoio da torcida dá um ânimo maior para nós jogadores. Sem público deixa de ser um espetáculo”. O time jogou os quatro primeiros confrontos como mandante no Serejão com portões fechados. “A falta de estrutura vem comprometendo o futebol há um bom tempo, pena que deixaram chegar a esse ponto”, completa.

Os clubes de futebol da capital já tiveram seus dias de glória, mas nos últimos anos vêm sofrendo com falta de dinheiro. Cada jogo disputado com as arquibancadas vazias custou em média R$ 3,5 mil, segundo a Federação Brasiliense de Futebol (FBF). O presidente do Brasiliense, Luiz Estêvão, ressalta que o reflexo negativo para o clube vai além do financeiro: “O prejuízo é muito maior, incluindo perda de motivação dos jogadores, falta da pressão da torcida sobre os adversários e desinteresse dos patrocinadores”.

 

Sacrifício

Na tentativa de manter os fãs próximos ao time, a diretoria do Sobradinho EC colocou um telão do lado de fora do estádio Augustinho Lima para os torcedores acompanharem os jogos. Na montagem da estrutura foram desembolsados R$ 5 mil pelo clube. “A nossa torcida é apaixonada e infelizmente teve que acompanhar do lado de fora as cinco primeiras partidas do time disputadas em casa no estadual”, contou o dirigente Leandro Mota.

Mas para a torcida não é a mesma coisa. “Somos acostumados a ver o jogo na arquibancada empurrando o time”, ponderou Caian. No intuito de apoiar o clube a torcida viajou 54 Km – de Sobradinho até o Gama – em ônibus particular. Essa foi a única maneira de conseguir ver o jogo decisivo entre Sobradinho e Brasiliense no Bezerrão, local escolhido pela diretoria do Leão da Serra.

 

O Bezerrão foi um dos estádios que não recebeu público na abertura do Candangão (Angélica Rangel)
O Bezerrão foi um dos estádios que não recebeu público na abertura do Candangão (Angélica Rangel)

Como está

A segunda divisão do campeonato candango já começou e o quadro ainda é desanimador. Segundo a Secretaria de Esportes do DF, os únicos estádios que estão liberados para pleno funcionamento são o Mané Garrincha e o Bezerrão.

O Serejão está no mesmo estado do fim do campeonato, em abril: apenas uma parte pode receber público. Atualmente o local é utilizado pelos times de futebol americano da capital em competições nacionais e será a casa do Dom Pedro, Guará e Atlético Taguatinga na segunda divisão do Candangão 2015 durante o segundo semestre.

Segundo a Administração Regional de Taguatinga, responsável pelo estádio, já foram tomadas providências para a conservação do gramado, das arquibancadas e de limpeza. O Administrador, Ricardo Lustosa Jacobina, acompanhou uma vistoria do bombeiro para poder analisar o que vai precisar para fazer a manutenção necessária e liberar o estádio para receber os jogos no segundo semestre.

A situação do Abadião (Ceilândia), onde o Botafogo-DF mandará seus jogos no segundo semestre, é preocupante. O estádio foi interditado tanto pela Polícia Militar quanto pelo Corpo de Bombeiros por apresentar falhas na estrutura. Foram constatados problemas nos alambrados, saídas de emergência insuficientes, falta de barreiras para separação de torcidas, britas na pista de corrida em volta do campo e número insuficiente de banheiros.

Já as arenas Chapadinha (Brazlândia), Adonir Guimarães (Planaltina), Cave (Guará) e JK Paranoá apresentam restrições de público para grandes eventos. No estádio de Sobradinho, a principal pendência é o estacionamento, que está em fase de reparos.

 

Foto de capa: Angélica Rangel