Entre o vilão e o mocinho

Se indicado por um profissional da área, anabolizantes podem trazer benefícios a saúde do paciente

Gustavo Figueredo

Os anabolizantes são hormônios esteróides, que atuam como hormônios produzidos pelo organismo. Apesar de muitos indivíduos utilizarem essas substâncias de forma indevida, existem pessoas que a utilizam para tratamentos hormonais, com o auxílio de um profissional

Esses medicamentos proibidos podem ser efetivamente benéficos se constatado um problema hormonal, muscular ou de crescimento e forem prescritos por um médico da área. Segundo o médico César Boguszewsksi, em uma entrevista para a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metodologia. A história do jogador Lionel Messi é um exemplo dos benefícios da droga. Aos 9 anos, o jogador descobriu que possuía uma rara doença de crescimento. Apesar da baixa estatura, 1,40m de altura aos 13 anos, o atleta se destacou entre os demais e acabou integrando o elenco do Barcelona. O clube o ajudou a bancar o seu tratamento hormonal, que consistia na ingestão do hormônio GH, responsável pelo

Para o nutricionista Edson Neris, o auxílio de um profissional de nutrição é essencial para o melhor desenvolvimento do paciente: “O anabolizante irá alterar muito o metabolismo do indivíduo. É uma substância perfeita para quem pretende ganhar massa. Já presenciei um caso de uma pessoa que possuía o vírus HIV e por conta da doença chegou a perder 20 quilos em uma semana. Nessa situação o anabolizante evitaria a perda de massa muscular.

Outro caso bem sucedido do uso de anabolizantes foi do Fábio Paiva, comerciante de 30 anos. Soube que tinha problema de crescimento ainda na infância. Com o acompanhamento de um endocrinologista, fez um longo tratamento até completar 21 anos “Me sentia muito menor do que os meninos da minha idade, procurei um médico que me indicou um endocrinologista. Na minha época era muito mais difícil de encontrar um profissional dessa área. Foi um tratamento caro e cansativo, mas valeu a pena”, conta

Perigos

Apesar dos benefícios em certos casos, o uso de anabolizantes de forma inadequada é crescente. Uma pesquisa feita pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebid), instituição ligada a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 2010, 1,4% dos estudantes no Brasil até 19 anos, injetaram algum tipo de anabolizante sem prescrição médica, crescimento de 75% em relação a 2004.

O estudante Rodrigo Carvalho começou a utilizar anabolizantes aos 19 anos , com o intuito de ganhar corpo em um curto período, e devido ao uso excessivo , passou por complicações no fígado. “A facilidade de encontrar esses medicamentos em academias, acabava por estimular a curiosidade de ficar forte. Essa vontade de me destacar, de sentir bem com meu corpo, era apenas o que importava. Esqueci completamente da minha saúde”, relatou.

Os riscos para saúde são altos, principalmente para o coração é o que afirma o médico cardiologista do Paraná Clube, Augusto V.F de Oliveira. O médico já vivenciou diversos casos do uso de anabolizantes ao longo de sua carreira, e alega que o uso dessas substâncias pode trazer graves sequelas: “O coração é um órgão muscular, em situações de uso destes hormônios sofre um processo semelhante ao dos músculos do corpo, ou seja, um aumento de massa, prejudicando seu desempenho”, explica. E a partir de quantidades e tempo de uso, essa hipertrofia pode se tornar irreversível, e pior ainda, se transformarem em dilatação que repercutem em alterações de funcionamento, pois o bombeamento de sangue coração. Estas alterações causadas pela má contração do do músculo cardíaco levam a insuficiência cardíaca, que se inicia com progressiva falta de ar e pode evoluir lentamente até a morte do paciente.

Foto de capa: Letícia Teixeira