Parkour supera obstáculos

Projeto social desenvolve além da prática do Parkour, aulas com responsabilidade e inclusão social

Enoque Aguiar

A arquitetura de Brasília recebeu há a oito anos, uma nova utilidade pelos praticantes do parkour, conhecidos por traçarem percursos – traceurs – por toda a cidade, superando obstáculos urbanos e naturais disponíveis no ambiente. Hoje, além da atividade física, o parkour já ensinou mais de 100 crianças e adolescentes a formação de bons cidadãos, com ética e moral em algumas regiões administrativas do DF.

Com o intuito de aprimorar técnicas de percurso para combate, o parkour surgiu na França, adaptando a disciplina militar, derivando do método natural para o ambiente urbano. Por meio desse novo conceito, passou a se difundir por vários países como um meio de superação de obstáculos, um hobbie, ou até mesmo como filosofia de vida. Na capital, essa prática se caracteriza por treinos individuais, mas há também treinos regulares e aulas com professores experientes em locais abertos ou fechados distribuídos pela cidade.

Pico do Cachorro e o Projeto Tracer

O Pico do Cachorro, que fica próximo à quadra de esporte da QN 14D na região administrativa do Riacho Fundo II é um dos pontos fixos para a prática do parkour. O pico foi criado em 2011, recebendo esse nome em um dia de manutenção do espaço para colocação de novos obstáculos, quando praticantes cavavam um buraco e foram questionados por um garotinho se ali eles enterrariam um cachorro, além do fato da grande quantidade de cachorro que se reunia no local. A partir de então o local virou ponto de referência para praticantes de toda a capital e também de outros estados como Goiânia.

O espaço surgiu para abrigar o Projeto Tracer, criado em 2010 pelo grupo Adapts, que coordenou o movimento durante dois anos, atendendo nesse período mais de 100 crianças e adolescentes do Riacho Fundo I e II, e Recanto das Emas, iniciantes da prática. Indo além dos ensinamentos do parkour, o projeto tem como objetivo “ensinar valores essenciais para a formação dos cidadãos de bem”, desenvolvendo um comprometimento com os estudos, com a formação do caráter e da moral, longe do uso de drogas, como afirma Danilo dos Reis, um dos fundadores da Hachi – Associação de Parkour & Freerunning do Distrito Federal, que hoje é responsável por manter o projeto.

Danilo começou a prática do parkour em 2008, aprimorando técnicas a partir do que conhecia na internet. Com 22 anos de idade, é estudante de educação física, e diz: “escolhi o curso, por causa do parkour, queria que tudo estivesse ligado ao que eu gostava”. Danilo afirma que procura sempre aliar sua vida profissional e pessoal ao parkour, além de considerar a prática como uma filosofia de vida. Hoje, considera o Projeto Tracer uma conquista, por se sentir parte e poder colaborar com a vida de tantas crianças que já passaram por ali.

As turmas para o Projeto Tracer estão abertas. Podendo se matricular crianças e adolescentes a partir dos sete anos de idade. As aulas regulares acontecem no Pico do Cachorro no horário noturno, fora do horário escolar. O aluno pode procurar mais informações no local, ou através da página do Facebook.

 

PROJETO TRACER – AULAS DE PARKOUR

LOCAL: QN 14D RIACHO FUNDO II (PICO DO CACHORRO)

HORÁRIOS: TERÇAS E QUINTAS 19H

TURMAS ABERTAS: TAXA DE INSCRIÇÃO R$ 5,00

MENSALIDADE: R$ 15,00

IDADE MÍNIMA: 7 ANOS

 

Foto de capa: Charles Jacobina