Sem alvará, teatro pede socorro

Fechado desde fevereiro do ano passado, o principal palco de Brasília ainda espera por reforma

Lucas Lélis

Cortinas fechadas, salas escuras, silêncio e abandono. Esse é o atual estado do Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília. A obra deveria ter começado no início de 2014, após parecer técnico divulgado pelo Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, em abril de 2013, seguido de uma visita realizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, em julho do mesmo ano. Os documentos apresentam 113 irregularidades no local, o que levou à recomendação da suspensão das atividades do teatro que não possui habite-se, alvará de funcionamento e segurança contra incêndio e pânico.

O teatro não atende a todos os itens previstos na Lei de Acessibilidade, já que a última reforma ocorreu em 1998 e a norma só foi sancionada em 2004. Além das irregularidades de segurança, é visível a falta de cuidado com a manutenção no espaço, como poltronas rasgadas e camarins em condições precárias.

Atualmente, os arredores do teatro servem de abrigo para moradores de rua e usuários de drogas. A reportagem do Artefato esteve no local e encontrou muita sujeira, forte odor de urina e fezes humanas nos acessos e escadarias externas de emergência. Mas a parte interna segue com a mesma rotina de limpeza, o que não agrava os problemas apresentados pelo relatório dos Bombeiros. O documento visa à segurança dos artistas, espectadores e funcionários, evitando tragédias como o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), em janeiro de 2013.

Cultura paralisada

O Teatro Nacional é a maior casa teatral do Distrito Federal. Com duas salas principais, a Villa Lobos e Martins Pena, camarins, espaço para oficinas cênicas e as salas de balé, ele possui 45 mil m² que estão ociosos.

O ator Paulo Gustavo, conhecido nacionalmente após interpretar uma personagem inspirada na própria mãe no espetáculo Minha Mãe é Uma Peça – apresentada no Teatro Nacional – lamentou a interdição do teatro: “É difícil quando a gente vai para um lugar que tem um teatro muito bom, mas que ficou interditado. Não só eu como todos os artistas, amamos fazer espetáculos no Teatro Nacional, em especial na sala Vila Lobos. Tomara que consigam reabrir logo o teatro, que é um presente para todos nós artistas e para o público de Brasília também”.

Burocracia

O governo do Distrito Federal alega que não existe orçamento previsto para a reforma do teatro por causa da crise financeira nos cofres públicos. O secretário de cultura, Guilherme Reis, explicou o atraso das obras. “É preciso um reestudo. Por se tratar de uma reforma que vai exigir uma nova engenharia financeira, não conseguimos incluir o teatro no primeiro pacote de obras lançado pelo GDF em 16 de julho de 2015”, confirma.

Orquestra

A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, utilizava o teatro para os ensaios e apresentações, mas a interdição do espaço não paralisou as atividades do grupo, que segue ativo, segundo a Secretaria de Cultura. A orquestra segue ensaiando no Centro de Convenções Ulysses Guimarães e as apresentações ocorrem todas terças-feiras, às 20h, em concertos gratuitos, ora no Santuário Dom Bosco, ora no Teatro Pedro Calmom, ora no próprio Centro de Convenções. O secretário de Cultura reforça que as apresentações têm assentos sempre bem concorridos.

Foto: Marina Raissa