Futebol americano: fãs em dobro no Brasil

Em um ano, a prática esportiva bate recordes de audiência na TV e conquista adeptos. Distrito Federal já conta com cinco times

Marcus Gomes

Se na terra do Tio Sam a preferência pelo futebol americano continua inabalável por 30 anos consecutivos, no Brasil a proporção de fãs cresce rapidamente. Neto do tradicional futebol e filho do rugby, o esporte foi apontado como o favorito de 3,3 milhões de brasileiros em 2014, segundo pesquisa do Ibope Repucon – especializada em esporte. Esse dado aponta que 3,6% da população brasileira já aderiu à modalidade. É mais que o dobro de pessoas em relação à pesquisa feita em 2013.

Atendendo a nova demanda de fãs, dois canais de televisão apostam no futebol americano em suas grades horárias: a ESPN e o Esporte Interativo. Em janeiro de 2015 ocorreu o Super Bowl (Super Taça, em tradução livre), jogo final da National Football League (NFL, liga dos EUA). A ESPN transmitiu o jogo e 2,7 milhões de brasileiros assistiram à vitória do New England Patriots sobre o Seattle Seahawks. O número representa um aumento de 800% em relação à audiência do Super Bowl de três anos atrás.

O crescimento não passa despercebido pelos olhares dos especialistas e demonstra também o impacto da cobertura da mídia na audiência. O jornalista da ESPN especializado em esportes americanos, Paulo Mancha, analisou a audiência da NFL no Brasil e disse que a ESPN tem um papel fundamental neste crescimento. “O Brasil é o único país do mundo, exceto os Estados Unidos, onde são transmitidas sete ou oito partidas por semana ao vivo”, afirma. Outro fator fundamental que alavanca o gosto pelo esporte, segundo Mancha, é a facilidade de obter informações sobre o futebol americano na internet.

Para se ter noção do crescimento do esporte no Brasil, a própria NFL estuda fazer um Pro Bowl, espécie de jogo das estrelas da liga norte-americana no Brasil, em 2017. Outro grande incentivo que tem voltado os olhos dos brasileiros à NFL é a presença de Cairo Santos, primeiro jogador brasileiro a disputar a competição. Cairo joga a segunda temporada pelo time do Kansas City Chiefs. “O crescimento do futebol americano no Brasil é explosivo. Não tenho dúvida que pode ficar entre os quatro esportes favoritos do brasileiro, disputando espaço com basquete, vôlei e handebol”, declarou Mancha à reportagem do Artefato.

Brasil no Mundial

O crescimento da audiência alavanca a prática. Desde 2009, foram criados mais de cem times, 12 ligas regionais e dois campeonatos nacionais. Todo o trabalho de treinamento e especialização que os times no Brasil desenvolveram refletiu na inédita classificação da seleção brasileira, batizada de Brasil Onças, ao mundial da modalidade disputado este ano em Canton, nos Estados Unidos. Apesar do sétimo lugar, o Brasil atingiu o objetivo de vencer pelo menos um jogo no mundial, contra a Coréia do Sul por 28 a zero.

Sem condições financeiras, a Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA) buscou doações online para arcar com os custos da viagem. “A ideia da vaquinha surgiu dos jogadores, preocupados em ajudar a entidade a cumprir seus compromissos”, disse o presidente da CBFA, Augusto Sousa. No entanto, a meta financeira não foi batida e os custos foram divididos entre jogadores, dirigentes e comissão técnica, além de um patrocínio que cobriu 10% do montante.

No Distrito Federal 

Leões de Judá, Brasília V8, Brasília Alligators, Brasília Templários e o mais antigo deles, Tubarões do Cerrado, são alguns dos nomes que colocam o Distrito Federal como um polo emergente da prática do esporte com a bola oval. Destes, apenas o Tubarões não participou do Campeonato Candango 2015, realizado pela Federação Brasiliense de Futebol Americano (FBFA). O Leões de Judá, com apenas dois anos de fundação, levantou o troféu do torneio, o primeiro organizado pela FBFA.

O presidente da federação, Marcio Makoto, disse que foi difícil realizar o campeonato em 2015. “No ano passado, os próprios times organizaram o campeonato e a federação ficou mais nos bastidores. Mas, nesse ano, a FBFA tomou a frente, pensou num calendário mais longo e resolveu alguns problemas como a busca por um estádio”, afirmou.

Makoto faz um prognóstico para o quadro de equipes do DF: “Já temos cinco times, com mais dois surgindo – Gama Gladiadores e Ceilândia Black Cats – teríamos sete, o que seria um número ideal para daqui a cinco ou dez anos termos os melhores times do Brasil”. Mas os desafios são grandes na terra do futebol tradicional. “O esporte só cresce quando os times se ajudam e é mais eficiente que os times trabalhem juntos ao invés da rivalidade fora de campo”, pondera o dirigente do V8, Luiz Victorino.

O número de torcedores tem aumentado. Na final do campeonato candango entre Leões de Judá e Goiânia Tigres (time convidado), o público presente foi de aproximadamente 700 pessoas, maior do que a maioria dos jogos do campeonato candango de futebol tradicional. Torcedor do Brasília Alligators, Bruce Macedo gosta de ver o seu time de perto. “Já fui a muitos jogos, principalmente no Bezerrão. O Alligators foi o primeiro time do DF que conheci e foi através dele que tive contato com o futebol americano”, conta.

Foto de capa: Paulo Pinto/Fotos Públicas