Voluntariado de qualidade

Projetos que preenchem a lacuna deixada pelo ensino público do DF e insere alunos carentes universidades federais

Nikelly  Moura e Katielly Valadão

 

Se ingressar nas grandes instituições de nível superior é o sonho de muitos estudantes que estão concluindo o ensino médio, e as condições financeiras não impedirão mais de torná-lo realidade. Visando estes jovens de baixa renda, porém com sede de estudar e ter um futuro de sucesso, universitários e professores da Universidade de Brasília (UnB) decidiram criar, em 2003, o Vestibular Cidadão, um projeto que atende a essa parte da população.

O VC foi desenvolvido com o objetivo de oferecer aulas gratuitas de preparação para o vestibular e ENEM aos jovens de escolas públicas ou bolsistas de escolas privadas que não têm condições financeiras de pagar um cursinho particular.

Ana Maria Gusmão é diretora geral do colégio Centro Oeste, da 902 Sul, onde são oferecidas as aulas aos sábados desde 2008. Segundo ela, o trabalho oferecido pelos alunos e ex-alunos é admirável, de primeira linha. “É um projeto sério, eles têm uma boa metodologia de ensino, uma organização. É um programa maravilhoso. Eu gostaria de ter espaço para recebê-los aqui de segunda a sábado”, declara.

Ivan Bastos, 23 anos e estudante de Economia, é um dos bons frutos do programa. Professor, ex-aluno do projeto e apaixonado pela iniciativa, expõe que já participou do grupo administrativo do projeto e hoje compartilha do conhecimento obtido no cursinho aos calouros. “As turmas não são como em cursinhos particulares que tem aquele esquema de competição com seu colega. Eles têm a consciência de que os parceiros de sala não serão concorrentes de vaga, mas sim colegas de turma”, relata.

 

Ensinando com o coração

Idealizado por dois casais e um padre da Paróquia do Menino Jesus em Brazlândia, foi criado em 2009 um programa social de aulas gratuitas de concurso público para pessoas carentes. Ao final da missa eram anunciadas as aulas e os alunos podiam fazer suas inscrições.

Haelson Silveira, 40 anos, foi um dos professores que incentivou e ajudou diversos alunos carentes, desempregados e até ex-usuário de drogas. Mesmo com falta de material didático, dificuldade de ambiente para os estudos e problemas financeiros severos, Silveira teve a felicidade de ver alguns candidatos logrando êxito em concursos públicos. “Mais de dez passaram em vários órgãos e empresas públicas. Uma delas em especial, por conseguir a aprovação entre as dez primeiras classificadas para o concurso de analista do Banco do Brasil. A sensação de ver essas aprovações é indescritível”, declarou.

Como diz na citação de Celso Antunes – A marca deixada por um professor é as vezes indelével, mas quase sempre permanentes. Assim são os serviços oferecidos por esses professores que impactam a vida de muitas pessoas de uma maneira única, como diz a aluna Hellen; “são professores extremamente maravilhosos. Eu nunca tive professores tão bons, tão dedicados igual estou tendo agora. O que mais admiro é que eles são voluntários”.

Ao mesmo tempo em que a aluna Rodrigues expressa sua admiração, há uma contrapartida de revolta. Ela e muitos alunos não se conformam com a falta de apoio do governo por uma iniciativa tão nobre quanto aos voluntariados voltados para educação. “Não é a pátria educadora? Então se é a pátria educadora tem que investir mais na educação. E é uma coisa que está faltando muito”, indignada, expressa a aluna.

 

Foto de capa: Angélica Rangel