Eles abusam de drogas e álcool

Jovens entre 13 e 15 anos estão na mira das drogas. Festas regadas a substâncias químicas são comuns

Daniela Andrade e Suelen Oliveira

 

O aumento no número de usuários de drogas menores de 18 anos é cada vez maior. É o que mostra uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em 2013. A vontade de experimentar drogas e álcool tem se tornado cada vez mais frequente entre esses jovens de acordo com a pesquisa.  Algumas dessas drogas são de comercialização proibida como crack, lança perfume, êxtase, heroína, cocaína.

O consumo desenfreado de drogas e o acesso aos entorpecentes por menores de idade vêm sendo notado e noticiado com frequência pela mídia. Segundo o site Produzindo Eventos conseguir um licenciamento de eventos em propriedade pública ou privada não é tão complicado como muitos imaginam, assim qualquer um pode fazer uma festa. Isso torna mais difícil a fiscalização da segurança pública do GDF.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), para fazer um evento com menores de 18 anos é preciso um alvará para entrada e permanência de menores desacompanhados de pais ou responsáveis legais e ciência da proibição de venda e consumo de bebidas alcoólicas a crianças e adolescentes, além do compromisso de cumprir as normas de prevenção contidas no Título III da Parte Geral da Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente). Para conseguir o alvará é fácil, basta ter toda a documentação exigida, mas na realidade cumprir a lei não é tão fácil assim.

 

Diversão sem limite

 A reportagem do Artefato acompanhou no dia 15 de agosto, uma festa no Ginásio Nilson Nelson. Em conversa informal com uma adolescente no evento ela afirmou ter a própria identidade falsa que ela mesma fez na impressora de casa e mandou plastificar, mas às vezes pega a identidade da prima mais velha, “os seguranças não olham direito”, afirma a estudante H. Oliveira, 15 anos.

A equipe do Artefato flagrou adolescentes que passaram mal com o abuso de drogas. Uma adolescente de 15 anos desmaiou no meio da festa e foi preciso chamar a segurança do local. A amiga da menina, disse que elas estavam ingerindo bebidas alcoólicas. “No bar tem segurança na porta, porque só é permitida a entrada de maiores de idade, porém a gente passa e eles não pedem documento”, relatou J.V. Dias, 17 anos, estudante universitário.

Os seguranças do local afirmam que são contratados para o evento, mas não recebem nenhuma ordem específica para restringir a entrada de pessoas no bar, sendo assim eles apenas ficam parados no lugar durante todo o evento.

 

Conteúdo obsceno

Em algumas festas é comum terem como atração cantores de funk. Recentemente o Ministério Público vetou shows de MCs que tinham conteúdo obsceno, apelo e conotação sexual destinado a um público de crianças e adolescentes. Os casos mais famosos são de MCs menores de idade como o MC Yuri e o MC Pedrinho com 15 e 12 anos respectivamente, ou seja, nem eles poderiam estar cantando essas músicas. Letras como, “senta gostoso” e “ a novinha faz um boquete bom”, não são apropriadas para crianças.

Outro caso recente foi do Mc Bin Laden. Uma música em especial chamou a atenção da população com o trecho “Lança de maracujá, quem não bafora aqui não vai transar”. Para quem não sabe, baforar é cheirar lança perfume. Essa música certamente está dizendo algo para quem a escuta, ela passa a falsa ideia de que se a pessoas não usarem a droga não terá relação sexual (que seria um prêmio da noite).

Psicólogos explicam que a erotização e a apologia às drogas, quando exagerada, podem causar problemas. Estes MCs são bastante influentes no mundo do funk, fãs que os acompanham podem ser influenciados a agirem de acordo com a música.

 

Foto de capa: Valéria Melo