Conforto sustentável

Coletores menstruais deixam mulheres mais confiantes. Além de representar uma alternativa econômica, a solução reduz impactos ambientais

Jacqueline Santana

Por mais que ainda seja um tabu, todas as mulheres menstruam, a não ser que tenham alguma alteração orgânica, funcional ou obstrutiva. Uma nova forma para ser utilizada durante o período menstrual chegou ao Brasil há pouco tempo, e pode ser mais higiênica e até solucionar impactos ambientais. São os coletores menstruais, também chamados pelos íntimos de “copinho”.

O coletor lembra, à primeira vista, um cálice feito de silicone hipoalérgico e antibacteriano. Ele é maleável e se ajusta quando é introduzido na vagina.  É diferente do absorvente interno, que fica localizado no fundo do canal vaginal e pode até alterar o PH da vagina, por absorver o muco. O ginecologista Demétrio Gonçalves alerta que, dependendo da mulher, os absorventes internos podem causar alguma irritação vaginal, já os absorventes externos, na vulva.

Leganda (autor)
Daniela Dias tem alergia aos absorventes (Jacqueline Santana)

A consultora de vendas Daniela Dias, 27 anos, relata que tinha alergia com os absorventes e conheceu por uma amiga o coletor menstrual, há mais ou menos cinco meses. “Eu não tinha mais alergia e percebi que a cólica também diminui, e até mesmo o incômodo”.

Assim como os absorventes internos, o coletor precisa de cuidados higiênicos para que não cause nenhuma infecção para a usuária. Uma das empresas que fabrica o coletor no Brasil recomenda que ele seja lavado com água e sabão neutro de duas a três vezes ao dia e, ao final do ciclo, fervê-lo por três minutos.

No Brasil, ainda é difícil encontrar o produto em lojas físicas e farmácias. A alternativa é pedir pela internet ou comprar de uma revendedora. Por isso, o valor pode ser considerado alto. Em sites brasileiros, ele pode ser encontrado a partir de R$ 75, mas também existem sites estrangeiros que fazem a entrega no Brasil.

FotoJornalismo 011 - Cópia
Semyramis Soares é revendedora dos produtos Legenda (Gabriela Mota)

A revendedora Semyramis Soares, 20 anos, cobra uma pequena taxa de R$ 3 para entregar nas estações do metrô de Brasília. “O coletor custa R$ 79 e existem dois tipos, A e B. O primeiro é para mulheres com mais de 30 anos ou que tenham filhos, e o segundo para as que possuem menos de 30 ou sem filhos”.

Sustentável

Segundo o site Ambiente Brasil, uma mulher usaria em média dez mil unidades de absorventes higiênicos ao longo da vida. Como eles não são biodegradáveis, levam cerca de 100 anos para sua decomposição. Uma empresa canadense, Knowate, criou em 2011 a primeira usina que recicla fraldas e absorvente descartáveis no Reino Unido.

Como ainda não existe nenhum processo assim no Brasil, o Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU) disse que divulga o consumo consciente, mas não trata especificamente desses itens. “Absorventes e fraldas são considerados rejeitos e não são separados para a reciclagem, por não haver mercado”, explica o responsável.

Enquanto um coletor pode custar R$ 75 e durar até 10 anos, uma mulher gasta em média cem reais por ano só com absorvente. Apesar dos benefícios, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM/PR) afirma que não há previsão de apoio ou divulgação por parte do Governo Federal.

Livre escolha

Embora o coletor ofereça certas vantagens, existem mulheres que não se adaptam ou não abrem mão dos outros métodos. A publicitária Jéssica Tavares, 24 anos, usou o coletor uma vez, mas por falta de costume preferiu não utilizar mais. Ela conta que se sentiu confortável com ele e até recomendaria para outra pessoa “Indicaria com certeza. Para mim, não, mas para outra pessoa, pois é muito prático”, diz.

Independentemente das alternativas, o importante é que cada mulher se sinta à vontade com sua escolha e tenha acesso a todas as informações possíveis.

Foto de capa: Jacqueline Santana